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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

"Conta-se que um religioso, nos primeiros cinco anos de seu ministério, manteve um quadro em sua escrivaninha que dizia: 'Ganhe o mundo para Cristo'. Nos cinco anos seguintes, trocou o quadro para: 'Ganhe um ou dois para Cristo'. Depois dos primeiros dez anos de seu ministério, o quadro de sua escrivaninha dizia: 'Tente não perder muitos'. Até que um dia enquanto organizava seu armário encontrou o primeiro quadro e ficou surpreso ao perceber o quanto havia se afastado da meta, fez uma revisão de vida e voltou a colocar o primeiro quadro de volta em sua escrivaninha."
É só uma história, mas nos leva a pensar em nossos propósitos de vida cristã e nos propõe recomeçar

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Eu te amo porque te amo


"Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."


Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Perto dos olhos, longe do coração

 Certamente, você já deve ter ouvido esta frase:
 "Perto dos olhos, mas longe do coração."
 Dela se utiliza o cancioneiro popular para contar histórias de vidas que se mantém distantes apesar de se abrigarem no mesmo teto
 Um filósofo, certa vez, perguntou a seus discipulos:
 -Por que nos manifestamos em gritos quando algo nos aborrece?"
 -Porque perdemos a calma - responde um!
 -Sim, mas por que gritar... se a pessoa se encontra tão próxima?
 -Acho que é para insistir que nos ouça- respondeu outro.
 Assim, após ouvir algumas respostas pouco satisfatórias, ele disse:
 -O fato é que, duas pessoas, quando estão aborrecidas, têm seus corações afastados e necessitam gritar para que se escutem mutuamente.
 Por outro lado, as pessoas enamoradas não ficam irritadas, não gritam, porque os seus corações estão próxiomos.
 Deixa de existir a "tal distancia" causadora de asperezas.
 As palavras brotam com suavidade, como num sussurro e alcançam o momento em que apenas um olhar pode representar mais de mil palavras.
POSFACIO

"Suas alegrias podem ser tão brilhantes quanto a manhã que se levanta
mágoas para lhe manter humano,
esperanças para lhe manter feliz,
fracassos para lhe manter humilde,
sucesso para lhe manter entusiasmado,
amigos para lhe dar conforto,
fé e coragem em si mesmo para eliminar a tristeza,
riqueza para suprir suas necessidades.
E mais  uma coisa:
determinação para fazer com que hoje
seja mais maravilhoso que ontem."

(Texto extraido do livro "Recados Da Biblia" do autor Fermino Neto editora GOL)





segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Frases do Papa Bento XVI, na França




Durante os dias 12 a 14 de setembro, a França recebeu o Papa Bento XVI que, passando por Paris e Lourdes, pronunciou publicamente em discursos, saudações e homilias. Muita riqueza podemos encontrar em suas palavras, das quais o próprio Deus quer utilizar para nos falar e transformar nossas vidas.



Confira aqui algumas frases de suas frases nestes dias:

“O homem tem sempre necessidade de ser liberto dos seus medos e dos seus pecados. O homem deve sem cessar aprender ou reaprender que Deus não é seu inimigo, mas seu Criador cheio de bondade.”

“O homem precisa de saber que a sua vida tem um sentido e que, no termo da sua permanência sobre a terra, é esperado para tomar parte sem fim na glória de Cristo nos céus.”

“Lourdes é um daqueles lugares que Deus escolheu para nele fazer resplandecer um raio particular da sua beleza”

“Apesar de viverem num mundo que lhes faz a corte e desfruta os seus instintos mais baixos, e carregando eles mesmos o fardo pesado de heranças difíceis de assimilar, os jovens conservam uma pujança de ânimo que suscitou a minha admiração”

“A França celebrava então a sua libertação temporal, no fim duma guerra cruel que tinha feito inúmeras vítimas. Agora, é sobretudo para uma verdadeira libertação espiritual que convém trabalhar.”

“Quando rezamos o terço, Maria oferece-nos o seu coração e o seu olhar para contemplarmos a vida do seu Filho, Jesus Cristo“


“… solicitados pela Palavra inspirada da Escritura, sempre os cristãos procuraram o sorriso de Nossa Senhora, aquele sorriso que os artistas, na Idade Média, tão prodigiosamente souberam representar e engrandecer.”

“Há combates que o homem não pode sustentar sozinho, sem a ajuda da graça divina.”

“Queria, humildemente, dizer àqueles que sofrem e a quantos lutam e se sentem tentados a virar as costas à vida: Voltai-vos para Maria! No sorriso da Virgem, encontra-se misteriosamente escondida a força para continuar o combate contra a doença e a favor da vida.”

“Amamos – e procuramos amar ainda mais – Aquele que está aqui, diante de nós, oferecido aos nossos olhares, às nossas questões talvez, ao nosso amor.”

“Aceitemos, aceitai oferecer-vos Àquele que nos deu tudo, que não veio para julgar o mundo, mas para o salvar (cf. Jo 3, 17), aceitai reconhecer nas vossas vidas a presença ativa d’Aquele que está aqui presente, exposto aos nossos olhares. Aceitai oferecer-Lhe as vossas próprias vidas.”

“Ele quer tomar a tua vida e uni-la à Sua. Deixa-te agarrar por Ele! Não olhes mais para as tuas feridas, mas para as d’Ele.”

“Não olhes para o que ainda te separa d’Ele e dos outros; olha a distância infinita que Ele aboliu ao assumir a tua carne, ao subir à Cruz que os homens Lhe prepararam e ao deixar-Se enviar à morte para te mostrar o seu amor.”

“A Eucaristia é também Jesus Cristo futuro, Jesus Cristo que virá.“

“… permanecei em silêncio e adorai o vosso Senhor (…) Permanecei em silêncio, depois falai e dizei ao mundo: não podemos calar mais aquilo que sabemos. Ide contar ao mundo inteiro as maravilhas de Deus”

“É para Deus que vos deveis voltar para aprender a amar e para ter a força de amar. O Espírito, que é Amor, pode abrir os vossos corações para receber o dom do amor autêntico.”

“De certa forma a Cruz põe em questão a segurança humana, mas torna segura também e sobretudo a graça de Deus e confirma a nossa salvação. Nesta noite, confio-vos a Cruz de Cristo. O Espírito Santo far-vos-á compreender os mistérios de amor”

“Em si mesma, a Missa convida-nos também a fugir dos ídolos (…) A Missa convida-nos a discernir aquilo que, em nós, obedece ao Espírito de Deus e o que, em nós, permanece à escuta do espírito do mal. Na Missa, desejamos pertencer unicamente a Cristo”

“Permiti-me, queridos habitantes de Paris e da região parisiense, e também todos vós que viestes do resto da França e de outros países limítrofes, lançar aqui um apelo cheio de confiança na fé e na generosidade dos jovens que se interrogam acerca da vocação religiosa ou sacerdotal: Não tenhais medo! Não tenhais medo de dar a vossa vida a Cristo!“


“… Os nossos pensamentos, as nossas palavras e as nossas ações só adquirem a sua verdadeira dimensão, se os referirmos à mensagem do Evangelho: «A boca fala da abundância do coração» (Lc 6, 45). Quando falamos, procuramos o bem do nosso interlocutor? Quando pensamos, procuramos colocar o nosso pensamento em sintonia com o de Deus? Quando agimos, procuramos espalhar o Amor que nos faz viver?”

“A esperança permanecerá sempre a mais forte!”

“Toda a sociedade humana precisa de esperança, e esta necessidade é ainda mais forte no mundo de hoje que oferece poucas aspirações espirituais e poucas certezas materiais.”

“Com grande generosidade, Deus confiou-nos o mundo que criou. Urge aprender a respeitá-lo e protegê-lo melhor.”

“Os tempos são incertos e é uma árdua empresa encontrar o caminho justo por entre os meandros da vida quotidiana social e económica, nacional e internacional.”

“… a França, historicamente sensível à reconciliação dos povos, está chamada a ajudar a Europa a construir a paz dentro das suas fronteiras e em todo o mundo.”

“A Palavra de Deus introduz-nos nós mesmos no colóquio com Deus. O Deus que fala na Bíblia ensina-nos como podemos falar com Ele.“

“Para rezar apoiados na Palavra de Deus não basta o simples pronunciar, requer-se a música”

“Nunca será demais repetir que o sacerdócio é indispensável à Igreja, no interesse do próprio laicado. Os sacerdotes são um dom de Deus para a Igreja.”

“Ninguém é demais na Igreja. Nela, todos e cada um sem excepção devem poder sentir-se “em sua casa”, e nunca rejeitado.”

“A Igreja, que não pode opor-se à vontade de Cristo, conserva fielmente o princípio da indissolubilidade do Matrimónio, embora circundando da maior estima os homens e mulheres que, por razões diversas, não chegam a respeitá-lo. Por isso, não se podem admitir as iniciativas que visam abençoar as uniões ilegítimas.”



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


São Leão Magno Sermão n° 23:
«Natal do Senhor»

Já muitas vezes, caríssimos, ouvistes falar e fostes instruídos a respeito do mistério da solenidade de hoje; porém, assim como a luz visível enche sempre de prazer os olhos sadios, também aos corações retos não cessa de causar regozijo a natividade do Senhor.

Jamais devemos deixá-la transcorrer em silêncio, embora não possamos condignamente explaná-la, pois aquela palavra: “a sua geração, quem a poderá explicar?” 1 se refere certamente não só ao mistério pelo qual o Filho de Deus é co-eterno com o Pai, mas ainda a este nascimento em que “o Verbo se fez carne” 2.

O Filho de Deus, que é Deus como seu Pai, que recebe do Pai sua mesma natureza, Criador e Senhor de tudo, que está presente em toda parte e transcende o universo inteiro, na seqüência dos tempos que, de sua providência dependem, escolheu para si este dia, a fim de, em prol da salvação do mundo, nele nascer da bem-aventurada Virgem Maria, conservando intacto o pudor de sua mãe. A virgindade de Maria não foi violada no parto, como não fora maculada na conceição, “a fim de que se cumprisse – diz o evangelista – o que foi pronunciado pelo Senhor, através do profeta Isaías: Eis que uma virgem conceberá no seu seio e dará à luz um filho, ao qual chamarão Emanuel, que quer dizer Deus conosco” 3.

O admirável parto da sagrada Virgem trouxe à luz uma pessoa que, em sua unicidade, era verdadeiramente humana e verdadeiramente divina, já que as duas naturezas não conservaram suas propriedades de modo tal que se pudessem distinguir como duas pessoas: não foi apenas ao modo de um Habitador em seu habitáculo que o Criador assumiu a sua criatura, mas, ao contrário, uma natureza como que se adicionou à outra. Embora duas naturezas, uma a assumente e outra assumida, é tal a unidade que formam, que um único e mesmo Filho poderá dizer-se, enquanto verdadeiro homem, menor que o Pai 4 e enquanto verdadeiro Deus, igual ao Pai 5.

Uma unidade dessas, caríssimos, entre Criador e criatura, o olhar cego dos arianos não pôde entender, os quais, não crendo que o Unigênito de Deus possua a mesma glória e substância do Pai, afirmaram ser menor a divindade do Filho, argumentando com as palavras (evangélicas) que dizem respeito à forma de servo 6.

Ora, o próprio Filho de Deus, para mostrar como essa condição de servo nele existente não pertence a uma pessoa estranha e distinta, com ela mesma nos diz: “eu e o Pai somos uma só coisa” 7

Na natureza de servo, portanto, que ele, na plenitude dos tempos, assumiu em vista da nossa redenção, é menor do que o Pai; mas na natureza de Deus, na qual existia desde antes dos tempos, é igual ao Pai. Em sua humildade humana, foi feito da mulher, foi feito sob a Lei 8, continuando a ser Deus, em sua majestade divina, o Verbo divino, por quem foram feitas todas as coisas 9. Portanto, aquele que, em sua natureza de Deus, fez o homem, revestiu uma forma de servo, fazendo-se homem; é o mesmo o que é Deus na majestade desse revestir-se e homem na humildade da forma revestida. Cada uma das naturezas conserva integralmente suas propriedades: nem a de Deus modifica a de servo, nem a de servo diminui a de Deus. O mistério, pois, da força unida à fraqueza, permite que o Filho, em sua natureza humana, se diga menor do que o Pai, embora em sua natureza divina lhe seja igual, pois a divindade da Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma só. Na Trindade o eterno nada tem de temporal, nem existe dissemelhança na divina natureza: lá a vontade não difere, a substância é a mesma, a potência igual, e não são três Deuses, unidade verdadeira e indissociável é essa, onde não pode existir diversidade.

Nasceu pois numa natureza perfeita e verdadeira de homem o verdadeiro Deus, todo no que é seu e todo no que é nosso. “Nosso” aqui dizemos que o Criador criou em nós no início, e depois assumiu para restaurar. O que, porém, o sedutor (o demônio) introduziu e o homem, ludibriado, aceitou, isso não teve nem vestígio no Salvador, pois comungando com nossas fraquezas não participou dos nossos delitos. Elevou o humano sem diminuir o divino, dado que a exinanição em que o Invisível se nos mostrou visível foi descida de compaixão, não deficiência de poder.

Assim, para sermos novamente chamados dos grilhões originais e dos erros mundanos à eterna bem-aventurança, aquele mesmo a quem não podíamos subir desceu até nós. Se, realmente, muitos eram os que amavam a verdade, a astúcia do demônio iludia-os na incerteza de suas opiniões, e sua ignorância, ornada com o falso nome de ciência, arrastava-os a sentenças as mais diversas e opostas. A doutrina da antiga Lei não era bastante para afastar essa ilusão que mantinha as inteligências no cativeiro do soberbo demônio. Nem tampouco as exortações dos profetas lograriam realizar a restauração de nossa natureza. Era necessário que se acrescentasse às instituições morais uma verdadeira redenção, necessário que uma natureza corrompida desde os primórdios renascesse em novo início. Devia ser oferecida pelos pecadores uma hóstia ao mesmo tempo participante de nossa estirpe e isenta de nossas máculas, a fim de que o plano divino de remir o pecado do mundo por meio da natividade e da paixão de Jesus Cristo atingisse as gerações de todos os tempos e, longe de nos perturbar, antes nos confortasse a variação dos mistérios no decurso dos tempos, desde que a fé, na qual hoje vivemos, não variou nas diversas épocas.

Cessem, por isso, as queixas dos que impiamente murmuram contra a divina providência e censuram o retardo da natividade do Senhor, como se não tivesse sido concedido aos tempos antigos o que se realizou na última idade do mundo. A Encarnação do Verbo podia conceder, já antes de se realizar, os mesmos benefícios que outorga aos homens, depois de realizada; o ministério da salvação humana nunca deixou de se operar. O que os apóstolos pregaram, os profetas prenunciaram; não foi cumprido tardiamente aquilo a que sempre se prestou fé. A sabedoria, porém, e a benignidade de Deus, cem essa demora da obra salutífera, nos fez mais capazes de nossa vocação, pois o que fora prenunciado por tantos sinais, tantas vezes e tantos mistérios, poderíamos reconhecer sem ambigüidade nestes dias do Evangelho. A natividade, mais sublime do que todos os milagres e do que todo o entendimento, geraria em nós uma fé tanto mais firme quanto mais antiga e amiudada tivesse sido antes sua pregação. Não foi, pois, por deliberação nova ou por comiseração tardia que Deus remediou a situação do homem, mas, desde a Criação do mundo instituíra uma e mesma causa de salvação, para todos. A graça de Deus, que justifica os santos, foi aumentada com o nascimento de Cristo, não foi simplesmente principiada. E esse mistério da compaixão, esse mistério que hoje já enche o mundo, fora tão potente em seus sinais prefigurativos que todos os que nele creram, quando prometido, não conseguiram menos do que os que o conheceram realizado.

São assim, caríssimos, tão grandes os testemunhos da bondade divina para conosco que, para nos chamar à vida eterna, não apenas nos ministrou as figuras, como aos antigos, mas a própria Verdade nos apareceu, visível e corpórea. Não seja, portanto, com alegria profana ou carnal que celebremos o dia da natividade do Senhor. celebra-lo-emos dignamente se nos lembrarmos, cada um de nós, de que Corpo somos membros e a que Cabeça estamos unidos, cuidando que não se venha a inserir no sagrado edifício uma peça discordante.

Considerai atentamente, caríssimos, sob a luz do Espírito Santo, quem nos recebeu consigo e quem recebemos conosco: sim, como o Senhor se tornou carne nossa, nascendo, também nós nos tornamos seu Corpo, renascendo. Somos membros de Cristo e templos do Espírito Santo e por isto o Apóstolo diz: “Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo” 10. Apresentando-nos o exemplo de sua humildade e mansidão, o Senhor comunica-nos aquela mesma força com que nos remiu, conforme prometeu: “Vinde a mim, vós todos, que trabalhais e estais sobrecarregados, e eu vos reconfortarei. Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e encontrareis repouso para vossas almas” 11.

Tomemos, portanto, o jugo, em nada pesado e em nada áspero, da Verdade que nos guia e imitemos na humildade aquele a cuja glória queremos ser configurados. Que nos auxilie e nos conduza às suas promessas quem em sua grande misericórdia é poderoso para apagar nossos pecados e completar seus dons em nós, Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Assim seja.

Fonte:

GOMES, Cirilo Folch, OSB. Antologia dos Santos Padres. Coleção "Patrologia". Ed. Paulinas, São Paulo, 1985.

Notas:
[1] Jo 53, 8;
[2] Jo 1, 14;
[3] Mt 1, 23 (cf. Is7, 14);
[4] Jo 14, 38;
[5] Jo 10, 30;
[6] FI 2, 6;
[7] Jo 10, 30;
[8] Gl 4, 4;
[9] Jo 1, 3;
[10] 1Cor 6,20;
[11] Mt 11, 28s.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010



A maior aventura de um ser humano é viajar,


E a maior viagem que alguém pode empreender

É para dentro de si mesmo.

E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,

Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,

Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas

E descobrir o que as palavras não disseram...



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.



Augusto Cury





quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.

Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!




Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou
Construir um castelo ...
Fernando Pessoa.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

AMOR E PAIXÃO


Amar é realmente fundamental. O primeiro mandamento da lei de Deus manda amar acima de todas as coisas. Jesus resumiu toda a lei e os profetas no amor a Deus e aos irmãos. João, o apóstolo do Coração de Jesus entendeu muito bem todas essas lições, tanto que em sua carta resumiu a mensagem da Bíblia em três palavras geniais: “Deus é amor”. E disse mais: “quem ama permanece em Deus… Quem diz que ama Deus e não ama o irmão é mentiroso”.

Hoje em dia a palavra “amor” parece um tanto desgastada por tantos poemas e canções. Facilmente se diz “eu te amo”. Mas o significado real é simplesmente “eu gosto de você”; ou seja, “sinto paixão por ti”. Mas amor é muito mais do que gosto ou paixão. Amar é querer o bem do outro e paixão é querer o outro para o seu próprio bem. Amor é dar de si antes de pensar em si. Paixão é sentir que o outro completa o que me falta. Amor é atitude. Paixão é sentimento. Amor é rocha firme que serve de fundamento para qualquer construção. Paixão é areia que passa. Amor é sol que permanece sempre lá, apensar das nuvens e das tempestades. Paixão é estação, é inverno é verão. Pode mudar e surpreender. Há momentos em que a paixão queima como o calor do verão. Outras vezes ela simplesmente desaparece como as folhas no outono. Quem não conheceu o inverno da paixão? Muitos casamentos construídos sobre o “eu gosto de ti” não resistem à passagem das estações.

Quem ama também perde a paixão. Mesmo um grande amor não é o suficiente para preservar os sentimentos sempre no calor do primeiro beijo, da primeira flor, daquela carta de amor. Sempre chega o dia em que é preciso fechar as cortinas, cerrar as janelas porque lá fora faz muito frio. Os casais entendem perfeitamente o que estou falando. Algum tempo depois do casamento parece até que o amor acabou. Engano. Amor que é amor nunca acaba. É eterno, porque Deus é amor e o Amor é Deus. Quem ama traz no peito o Coração de Deus. Amamos na terra com o amor do céu. Mas mesmo assim, infelizmente, a paixão termina… ou se esconde no labirinto do coração. Em alguns momentos a única forma de amar é dizer boa noite e dormir. Por isso, quem ama suporta e perdoa. O amor é paciente no inverno da paixão. Quem ama com inteligência sabe o que fazer nos meses do frio. É tempo de podar as roseiras, pois a força neste tempo vai para a raiz. Quando a paixão termina é bom fechar para balanço. Até os relacionamentos mais santos precisam de férias de vez enquanto.

Quem não entendeu essa maravilhosa dinâmica do amor e da paixão corre o risco de pensar que o amor acabou e aplicar a lógica moderna do consumismo ao relacionamento familiar. É como aquele velho liquidificador recebido dos pais como presente de casamento. Marca tradicional. Pesado. Antigo. Mas funciona. Claro que tem alguns pequenos defeitos. A tinta já saiu em alguns lugares. Há uma pequena trinca aqui. O barulho é enorme. Mas quantos sucos e bolos passaram por aquelas lâminas. Vem o dia em que a promoção da semana oferece um liquidificador lindo por um preço tentador. Como é possível custar tão barato? Você nem olha onde foi feito; se tem garantia… É tão pouco dinheiro. Provavelmente o pacote de embrulho será mais caro que o próprio liquidificar. Você chega em casa e é só alegria. Menos para o velho liquidificador que entristecido será escondido no forro da casa, no quarto da bagunça, ou levado solenemente para o lixo. Durante uma semana você fica “encantado” com sua nova paixão. Mas são “amores de verão”. Depois de quinze dias começa a cair o primeiro botão. Depois ele não funciona por algum motivo. Você sente um cheiro de queimado. Pronto. Acabou. É mais um importado de araque. Você caiu no conto do vigário mais uma vez (nunca entendi o que o vigário tem a ver com isso). Que burro… Seja humilde. Busque o velho liquidificador no exílio. Ele estará pronto para funcionar perfeitamente. Não despreze velhos amores no inverno. Lembre-se: a primavera existe. Creia nisso!

Autor: Padre Joãozinho, scj.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O sacerdote mais jovem do mundo.


Sexta feira 9 de Abril de 1976, milhares de italianos aguardam diante da televisão um acontecimento invulgar: a primeira – e última – homilia do mais jovem sacerdote do mundo, gravada dois dias antes. Cesare Bisognin, ordenado há poucos dias, tem 19 anos apenas. Está morrendo, e a emissão foi gravada no seu quarto de hospital.

“Tive de deixar o seminário, mas o desejo de ser padre nunca me abandonou… O primeiro ato do meu ministério sacerdotal foi dar a eucaristia aos meus pais, agradecendo-os por me terem dado a vida… Aceitei esta entrevista talvez porque o meu dever – o dever de todo o sacerdote – consiste em dar coragem, em amparar a esperança… Quando soube que estava doente, tive um momento de desânimo, mas recompus-me pensando nos outros e em Cristo… E a minha primeira reação foi a esperança: esperança e confiança… Não nos podemos deixar abater… A esperança consiste em abandonar-me a Deus, mas não de uma forma egoísta pedindo-Lhe a cura, mas para ser de todos. O padre é um homem totalmente dado aos outros porque totalmente dado a Deus…”
Este rosto tão jovem e já no termo da vida, mas sobretudo as suas palavras comovem e interpelam a todos. Chegam numerosas cartas de encorajamento, com promessas de oração, mas essencialmente de testemunhos incríveis de doentes, pessoas sofredoras, abandonadas a agradecerem a coragem e confiança que recuperaram através do jovem sacerdote e das suas palavras reconfortantes, pacificadoras. Uma das missivas mais comoventes era enviada da penitenciária de Turim, cujos detidos convidavam Cesare a celebrar uma eucaristia com eles, ficando a cargo deles todas as despesas inerentes ao transporte e equipamento médicos. A saúde não lhe permitindo tal iniciativa, o jovem padre gravar-lhes-á uma mensagem agradecida e de encorajamento.

Na manhã de 28 de Abril cai a notícia: o jovem Cesare partiu para o Pai. Foi sacerdote por uns escassos 24 dias. Mais de 5 mil pessoas assistirão ao seu funeral depois de 25 mil terem prestado homenagem aos seus restos mortais durante dois dias.

O Card. Pellegrino, arcebispo de Turim questionou-se bastante acerca da oportunidade da ordenação do seu jovem seminarista cujos estudos de teologia foram interrompidos por um câncer dos ossos. A mobilização dos companheiros, professores, formadores e amigos de Cesare, juntamente com o testemunho de vida deste último, convenceram o prelado a tomar tal decisão. Ao Cesare, antes da ordenação, D. Pellegrino confiou a seguinte missão: “Vais conhecer o valor do silêncio e da solidão. Desde o teu leito de dor, anunciarás Cristo, no sofrimento exercerás o teu sacerdócio… Estamos seguros que o teu sofrimento dará muito fruto e servirá a muitos, exactamente como o grão de trigo semeado que morre.”


Aos céticos, o arcebispo de Turim respondeu: “Ele pode viver o ministério segundo um modo mais profundo, o da imolação com e em Cristo Sacerdote e Hóstia, pela Igreja.”

sábado, 23 de outubro de 2010

Românticos são poucos


Românticos são loucos desvairados

Que querem ser o outro

Que pensam que o outro é o paraíso

Românticos são lindos


Românticos são limpos e pirados

Que choram com baladas

Que amam sem vergonha e sem juízo

São tipos populares que vivem pelos bares


E mesmo certos vão pedir perdão

E passam a noite em claro


Conhecem o gosto raro


De amar sem medo de outra desilusão


(Romântico é uma espécie em extinção)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Segunda-feira, 18 de outubro de 2010, 09h53


Carta de Bento XVI aos seminaristas na conclusão do Ano Sacerdotal



Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé



Queridos Seminaristas,



Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta "nova Alemanha" estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma "profissão" do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objeções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: "Até os cabelos da vossa cabeça estão contados". Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.



O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal. Nestas palavras, disse já algo de muito importante: uma pessoa não se torna sacerdote sozinha. É necessária a "comunidade dos discípulos", o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de todos. Com esta carta, quero evidenciar – olhando retrospectivamente também para o meu tempo de Seminário – alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos.



1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um "homem de Deus", como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do "big-bang". Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar conosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contato com Deus. Quando o Senhor fala de "orar sempre", naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contato interior com Deus. Exercitar-se neste contato é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo fato de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo.



2. Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho "o pão nosso de cada dia nos dai hoje" dizendo que o pão "nosso", que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão "nosso"; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma reta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando.



3. Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o fato de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos, mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo.



4. Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande patrimônio da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos "Povo de Deus".



5. O tempo no Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma "norma da doutrina", à qual fomos entregues no Batismo (Rm 6, 17). Todos vós conheceis a frase de São Pedro, considerada pelos teólogos medievais como a justificação para uma teologia elaborada racional e cientificamente: "Sempre prontos a responder […] a todo aquele que vos perguntar 'a razão' (logos) da vossa esperança" (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Tudo o que vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, é importante ultrapassar as questões volúveis do momento para se compreender as questões verdadeiras e próprias e, deste modo, perceber também as respostas como verdadeiras respostas. É importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios, onde a Igreja assimilou, refletindo e acreditando, as afirmações essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogmática é a compreensão dos diversos conteúdos da fé na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, é apenas explanação da fé no único Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a nós. Que é importante conhecer as questões essenciais da teologia moral e da doutrina social católica, não será preciso que vo-lo diga expressamente. Quão importante seja hoje a teologia ecumênica, conhecer as várias comunidade cristãs, é evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orientação fundamental sobre as grandes religiões e, não menos importante, sobre a filosofia: a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta. Mas aprendei também a compreender e – ouso dizer – a amar o direito canônico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito é condição do amor. Agora não quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, não é um pólo oposto à ciência teológica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.



6. Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente "íntegro". Por isso, a tradição cristã sempre associou às "virtudes teologais" as "virtudes cardeais", derivadas da experiência humana e da filosofia, e também em geral a sã tradição ética da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: "Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento" (4, 8). Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano. Quando não é integrada na pessoa, a sexualidade torna-se banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande mágoa que sacerdotes desfiguraram o seu ministério, abusando sexualmente de crianças e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devastações, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em vós próprios, esta questão: se é bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato é sensato como vida humana. Mas o abuso, que há que reprovar profundamente, não pode desacreditar a missão sacerdotal, que permanece grande e pura. Graças a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua fé, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibatária, é possível chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e solícitos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a nós mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerdócio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. É função dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. É um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele.



7. Hoje os princípios da vocação sacerdotal são mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunitário com Cristo e a sua Igreja, uma experiência espiritual e a alegria no serviço da fé. A decisão amadurece também em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerdócio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poderá ser difícil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itinerário espiritual. Por isso mesmo, o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.



Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à proteção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus onipotente Pai, Filho e Espírito Santo.



Dado no Vaticano, aos 18 de Outubro - Festa de São Lucas, Evangelista - do ano de 2010.



Vosso no Senhor.


Bento pp XVI.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O dia em que a salvação foi manchete.



Arriscar-se para salvar a outros.

Olhos fixos naquele apertado e longo túnel que leva até o coração da terra onde estavam os mineiros presos a mais de 40 dias. Tempo longo. Um dia já seria demais. Toda a tecnologia e inteligência foi utilizada neste resgate histórico, no deserto do Atacama, no Chile.
O que mais me impressionou, porém, foi a coragem do primeiro resgatista que entrou na cápsula para descer até onde estavam os mineiros soterrados. Uma coisa é ser surpreendido no meio de um dia de trabalho por uma avalanche e ficar preso a quase um quilômetro abaixo da terra. Dezessete dias sem comunicação é algo somente imaginável para quem passou.
Mas coloque-se no lugar de alguém que hoje está jantando com sua mulher e filhos, sabendo que amanhã vai entrar terra abaixo para prestar sua solidariedade e preparar os mineiros para o resgate.
Por mais seguros que sejam os procedimentos, aquele homem sabia muito bem que nenhum humano havia testado ainda aqueles equipamentos inventados especialmente para a ocasião.
Que valores e convicções motivam este homem a arriscar a própria vida para salvar a dos companheiros?
Esta atitude me faz entender melhor o Coração de Jesus que, sendo Deus, não se apegou à sua divindade, mas esvaziou-se de si mesmo e desceu até nós para nos resgatar! (cf. Filipenses 2,5-11).


Padre Joãozinho, SCJ
http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/
Padre do Sagrado Coração de Jesus (dehoniano), doutor em teologia, diretor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP) e autor de vários livros e canções. Conheça o blog do Padre Joãozinho



terça-feira, 5 de outubro de 2010

Felicidade
A felicidade é um susto. Chega na calada da noite, na fala do dia, no improviso das horas. Chega sem chegar, insinua mais que propõe... Felicidade é animal arisco. Tem que ser admirada à distância porque não aceita a jaula que preparamos para ela. Vê-la solta e livre no campo, correndo com sua velocidade tão elegante é uma sublime forma de possuí-la.

Felicidade é chuva que cai na madrugada, quando dormimos. O que vemos é a terra agradecida, pronta para fecundar o que nela está sepultado, aguardando a hora da ressurreição.
Felicidade é coisa que não tem nome. É silêncio que perpassa os dias tornando-os mais belos e falantes. Felicidade é carinho de mãe em situação de desespero. É olhar de amigo em horas de abandono. É fala calmante em instantes de desconsolo.
Felicidade é palavra pouca que diz muito. É frase dita na hora certa e que vale por livros inteiros.
Eu busco a frase de cada dia, o poema que me espera na esquina, o recado de Deus escrito na minha geladeira... Eu vivo assim... Sem doma, sem dona, sem porteiras, porque a felicidade é meu destino de honra, meu brasão e minha bandeira. Eu quero a felicidade de toda hora. Não quero o rancor, não quero o alarde dos artifícios das palavras comuns, nem tampouco o amor que deseja aprisionar meu sonho em suas gaiolas tão mesquinhas.
O que quero é o olhar de Jesus refletido no olhar de quem amo. Isso sim é felicidade sem medidas. O café quente na tarde fria, a conversa tão cheia de humor, o choro vez em quando.
Felicidades pequenas... O olhar da criança que me acompanha do colo da mãe, e que depois, à distância, sorri segura, porque sabe que eu não a levarei de seu lugar preferido.
A felicidade é coisa sem jeito, mas com ela eu me ajeito. Não a forço para que seja como quero, apenas acolho sua chegada, quando menos espero.
E então sorrio, como quem sabe, que quando ela chega, o melhor é não dispersar as forças... E aí sou feliz por inteiro na pequena parte que me cabe.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Vida: direito de todos - “Ouvi o coração do meu filho e desisti do aborto”



“Quando ouvi o barulho do coração do meu filho percebi que ele estava apavorado, porque sabia que a sua mãe estava querendo matá-lo”.
Com essas palavras fortes trazemos até você mais um testemunho de uma mãe que, num contexto de morte, fez a opção pela vida. Trata-se de Ângela Menezes, uma mãe que ficou grávida ainda jovem e – apoiada e pressionada por “amigos”, professores e pessoas mais próximas – correu em direção a uma clínica de aborto para ceifar a vida de seu filho.
Ângela conta que estava tudo certo para viajar com mais três amigos e fazer um mestrado no exterior quando ainda tinha 19 anos de idade. Numa única relação sexual, descobriu que estava grávida e, num primeiro plano, viu os seus sonhos profissionais irem por água abaixo por causa da gravidez indesejada naquele momento. “Nessa hora apareceram várias pessoas pedindo que eu abortasse. Colegas e professores eram os que mais me pressionavam dizendo que eu poderia engravidar mais para frente, depois que concluísse meus estudos”.
Nesse momento, ela se viu muito confusa porque tinha a educação católica, implantada por seus avós, em seu interior. “Mesmo assim, eu decidi ir para uma clínica, acompanhada de uma ‘amiga’ que já tinha feito aborto e também pela mãe desta que também tinha feito 6 abortos”.
Ângela conta que, antes do procedimento para a retirada do feto, uma médica colocou o aparelho que media o batimento cardíaco e ouviu o barulho de um coração muito acelerado. “Eu ouvi aquele batimento cardíaco muito acelerado e disse à doutora: ‘Nossa! Não imaginei que eu estivesse tão nervosa’. De uma forma muito natural a médica disse: ‘Este coração acelerado não é o seu, é o coração do feto”, partilha.
Naquele momento, essa mãe disse que deu um salto da maca, porque ouviu – através do batimento cardíaco do seu filho ainda no ventre – o seu desespero porque sabia que algo de errado estava para acontecer com ele.
Angela saiu da clínica desesperada e chorando muito, foi a uma igreja e na capela encontrou um sacerdote. Arrependida, disse ao padre o que havia acontecido. Ela se confessou e decidiu ter o seu filho, Guilherme, que hoje está com 17 anos de idade.
“Não existe gravidez indesejada, pois toda vida é desejada por Deus!”, testemunha

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Encontro com o Cristo Ressuscitado.



Depois de ressuscitar na madrugada do primeiro dia, após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, de quem tinha expulsado sete demônios. Ela anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando viram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos, enquanto estavam comendo, repreendeu-lhes por causa da falta de fé e pela dureza de coração. Porque não tinham acreditado naquele que tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: “Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura”.
Nesta tarde, somos convidados, somos ordenados a ir pelo mundo anunciar o Evangelho, mas não anunciar de qualquer jeito, a primeira leitura nos mostra como o evangelho deve ser anunciado, com testemunho, com força, anunciado no poder de Deus. O povo ficava admirado de ver de onde vinha, que força era aquela que levava Pedro e João, dois pescadores pecadores ignorantes da Galiléia a pregar com aquela intrepidez que pregavam, com a coragem que pregavam. As pessoas ficavam admiradas. De onde vinha aquela sabedoria? E o segredo estava no conteúdo que eles pregavam. Eles não falavam de teorias. Teorias nós precisamos estudar. Teoria não é pregação, é palestra. O Evangelho precisa ser comunicado, e ele é comunicado a partir da experiência que nós vamos fazendo de Jesus. Esse é o primeiro grande segredo da palavra de hoje. Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho.
Marcos foi um jovem que seguiu Jesus. Um menino com uma força tão grande que ao ser preso saiu pelado de dentro da túnica, pois agarraram nela. Marcos fez uma experiência pessoal de Jesus através de Pedro. A mãe dele também era uma discípula de Jesus. Para ele o Evangelho tem nome, não é um conjunto de normas. Evangelho, em Marcos é igual a Jesus. Por isso que ele divide o Evangelho: capítulo 1, 8 e 16. No capitulo 8 do evangelho de São Marcos, ele coloca uma pergunta. Dos versículos um ao oito ele pergunta: “Quem é Jesus?”. Dos versículos 8 a 16 ele mostra quem é Jesus. Marcos se ocupou com uma grande missão: anunciar uma pessoa, levar as pessoas a terem um encontro pessoal com Jesus Cristo vivo. Jesus é a boa notícia que o mundo precisa conhecer. Jesus é o conteúdo do Evangelho. Mas para se chegar a essa comunicação pessoal de Jesus, a palavra hoje nos diz que precisamos ter um encontro pessoal com Deus. Qual é o segredo que levou João e Pedro a anunciar com a intrepidez que pregaram? Tiveram um encontro pessoal com Jesus.
Madalena é a única personagem citada nos quatro evangelhos, que teve um encontro pessoal com Jesus. E Jesus tinha expulsado dela sete demônios. Significa que o demônio já tinha dominado sua afetividade, sua sexualidade, sua economia, seu corpo, sua, mente, seu coração, sua linguagem. O demônio vai agindo em nós aos poucos, ele não nasce de uma hora para outra em sua vida, ele vai dominando áreas de nossa vida, ele vai nos seduzindo aos poucos. Ele vai entrando em nosso ouvido, em nossos olhos, em nossa cabeça, em nosso coração, em nosso bolso, quando eu começo a viver para o pecado e para as coisas do pecado. Afirmar que uma pessoa era dominada por sete demônios era afirmar que ela era completamente dominada pelo demônio. Quem era essa Maria Madalena ou de Magdala? Magdala é um lugarejo que fica às margens do mar da Galiléia, onde passavam muitas pessoas, pois era um caminho, onde tinha um grande exército. Magdala significa quartel. Maria Madalena é Maria, aquela que atende o quartel. A responsável pelo exército de prostituídas, de prostituidores. É muito provável, pelo contexto bíblico, que Madalena, de fato foi uma prostituta. E não só uma prostituta, ela era ponto de referência. Madalena não é sobrenome, não é um segundo nome. Madalena se refere ao lugar e a profissão que representava. Madalena é como se fosse hoje da luz vermelha. Era uma pecadora, uma grande pecadora. Muito provavelmente, essa mulher é a mesma personagem do capítulo 8 de São João. Há muitas dúvidas. Até porque, confundiram muitas vezes madalena com Maria de Betânia, aquela que ungiu o Senhor, que também era prostituta, que também tinha sete demônios, mas não eram a mesma personagem. Porque principalmente no Evangelho de São Lucas, quando ele fala daquela mulher no capítulo sete, ele não cita o nome, ele diz que foi em Betânia. E no capítulo 8, quando ele cita discípulas de Jesus, ele cita Maria Madalena. Mas muito provavelmente Madalena foi aquela mulher pega em flagrante adultério. E a lei era muito clara. Quando uma pessoa era pega em flagrante adultério, ela tinha que ser publicamente apedrejada. E veja que São João diz no capítulo 8 que os fariseus e os doutores da lei já haviam decidido prejudicar Jesus. Eles queriam eliminar Jesus, eles estavam buscando uma fraqueza dele. E é muito provável que eles tenham montado a situação daquela mulher. Já que Jesus conhecia aquela mulher, não teria problema de Jesus colocar em dúvida o pecado dela. Eles buscaram a prostituta mais conhecida da região, eles montaram um teatro para Jesus.
Eles estavam armando, pois se Jesus dissesse para apedrejar a mulher, eles iriam perguntar: “Onde está a misericórdia que o Senhor fala tanto? Onde está o perdão que o Senhor fala?”. E se Jesus dissesse: “Não joguem pedras”. Eles iriam perguntar: “E a lei de Moisés?” Era uma armadilha, foi tudo montado, o cenário era perfeito para destruir Jesus. O que Jesus fez? A primeira coisa que Jesus faz é um gesto fabuloso, ele se abaixou, pois para escrever no chão, tinha que ser agachado. Abaixado, ele olhou para os doutores, e o rosto dele fica no mesmo ângulo dela. Ele ficou da altura dela. E diz: “Quem de vocês não tem pecado que atire a primeira pedra”. E se alguém jogasse a pedra, iria acertar primeiro em Jesus. E esse é um dos conteúdos mais essenciais do Evangelho: ao tocar pedra em alguém, eu acerto em Jesus. Mateus 25: “Aquilo que você fizer ao menor dos meus irmãos e para mim”. Não tem escapatória. Cada vez que você fala mal de alguém, você está jogando pedra em Jesus. Isso é terrível! O maior pecado que nós cometemos é esse, a falta de amor verdadeiro, a briga e divisão nas comunidades.
Diz São João, que começando pelos mais velhos, foram enfiando o rabinho por entre as pernas. Não sobrou um. E Jesus olha para ela: “Não te condenaram? Eu também não te condeno”. E levantou. Jesus se abaixou para defendê-la, ficou do tamanho da prostituta, para fazer com que ela fique do tamanho dele. E depois Jesus a levanta. A primeira ressurreição dela foi ali. Essa mulher se tornou uma especialista em ressurreição, pois quando essa mulher chegou arrastada para Jesus, ela estava morta. E ela sabia que estava morta. Não era mentira. Jesus não disse que era mentira. Jesus não perguntou: “É verdade que essa senhora foi pega numa situação indecorosa?”. Mas Jesus também não falou: “Minha filha, o que a levou a essa vida? Você teve algum problema psicológico, afetivo em sua infância ou sua adolescência”. Ele não condenou. Jesus não olha o passado nunca. Quando a mulher chegou estava morta e de mortos não olhamos o passado. Jesus disse: “Deixe que os mortos se encarreguem com seus mortos”. Essa mulher ressuscitou. Jesus desceu ao inferno dela nesse dia. E ao inferno deles também. E levantou-a. E, a partir daquele dia, ela tornou-se a discípula número um de Jesus. Porque São Marcos disse no Evangelho que no primeiro dia depois do sábado de madrugada, a primeira pessoa que viu o Ressuscitado foi Maria Madalena. São João conta como ela reconheceu. Ela não tinha medo de andar no escuro, pois estava acostumada, já que se prostituía, passava a noite inteira atrás de fregueses. E agora que ela conhecia o único homem que lhe amou na vida, que não usou o seu corpo, mas contemplou o seu espírito. E diz o Evangelho que ela levou perfumes para Jesus. Quando nós lemos a história de Maria de Betânia, sabemos que ela tem um vidro de perfume com mais de meio litro de perfume caríssimo, de nardo puro, que a flor da pureza. Essa mulher tinha muito dinheiro. Aquele perfume era a somatória de muito pecado. E por que o Evangelho fala de perfume? E fala de Maria Madalena que foi levar perfume no túmulo? Porque a bíblia sabe muito bem que as mulheres especialistas em perfume eram as prostitutas. Por quê? Como uma mulher se prostituía? Ela mostrava a perna para o freguês? Ela podia pôr um decote maior? Não. Como um homem sabia que uma mulher era prostituta? Pela quantidade de perfume. Por isso que Paulo falou: “Vocês tem que ser o perfume de Deus para o mundo”. E não o fedor do diabo para a história. O perfume de Deus, que atrai, que seduz. Jeremias 20, 7: “Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir”. É a mesma experiência.
O primeiro dia da semana, de madrugada, ela vai. Para alguns ela vai sozinha, outros evangelistas dizem que ela levou colegas junto. Ela não tem medo. Ela foi antes que qualquer discípulo. Ela vai porque amava demais Jesus, e leva perfume para jogar em cima do túmulo. Como o túmulo de Jesus foi feito às pressas, não era nem dele. Ele morreu na sexta-feira, e às seis horas da tarde já não se podia fazer nada, pois começava o sábado da páscoa. Ninguém podia colocar a mãe em defuntos, então eles amarraram Jesus rapidinho, embrulharam num pano e o colocaram no túmulo. Só iriam terminar o ritual no domingo ou na segunda. Ela leva perfume para cuidar do corpo de Jesus, pois já fedia muito mesmo antes de morrer. Quando ela chega lá, não encontra Jesus. Jesus já está vivo, olha para ela e fala: “Mulher, por que choras?”. Ela estava com os olhos tão cheios de água, que não o reconhece. Os discípulos de Emaús também não reconheceram. Ela disse: “Se foi o Senhor, fala onde colocou o corpo que eu vou atrás”. Quem experimenta a ressurreição de Jesus vai atrás a qualquer canto. Em qualquer hora. Maria Madalena indo de madrugada atrás de Jesus é um rosto de um jovem que sai pelas ruas atrás de cocaína, atrás de crack. Nós entendemos de amor quando vemos um filho desesperado atrás de um cigarro, de um gole de cachaça. Quando é que ela reconheceu Jesus? Quando Jesus a chamou de Maria. Vocês imaginem a entonação de vós com esse nome. Esse era o nome de mulher que Jesus mais repetiu na sua vida. Todo mundo a chamavaela de Madalena, Magdala, prostituta. Mas o Senhor a chamava de Maria. Jesus não olha o seu passado. Jesus não olha para nossas máscaras. Ele não está nem aí para nossa função, cargo, profissão, bens. Isso quem gosta é o encardido. Jesus olha para o que somos na essência. Isaías nos diz: “O Senhor que me chama pelo nome”. E Jesus a chama de Maria. Ele deve ter falado Miriã. Quando ela escutou o seu nome com aquela entonação, ela sabia, só podia ser. Ninguém falava igual. Ela vira e diz: “Raboni, Mestre!”. Só os discípulos podiam usar esse título. “A prova mais fundamental de que Jesus tinha discípulas”. Mas aqui não se trata apenas de uma discípula. É tão importante esse encontro que está nominalmente nos quatro evangelhos. E também o ressuscitado nos ensina o que é amar. Ali ele deve ter se lembrado da primeira vez que ele se encontrou com Maria. Ele se encontrou com Maria pouco antes de sua morte. Maria encontrou com ele pouco depois da ressurreição dele. Qual é a notícia mais importante da face da terra? Quando Jesus nasceu, mandou um anjo anunciar a Maria. Mas na notícia mais importante da face da terra, o próprio Jesus ressuscitado incumbiu uma prostituída, que veio até ele pouco antes de ser apedrejada. A pior prostituída de Israel recebeu a missão de comunicar a notícia mais importante da face da terra ao Papa. Pedro já era Papa. Mateus 16: “Sobre essa terra edificarei a minha igreja”. Aos apóstolos. Os apóstolos são as colunas da Igreja. Só os apóstolos participaram da última ceia, só eles receberam o ministério sacerdotal, o ministério episcopal. Entende o que é amar? Jesus pega aquela mulher, que veio lá para morrer, e transforma na maior e mais importante evangelizadora que a terra conheceu. Por isso ela aparece nos quatro evangelhos, na ressurreição. Foi a escolhida por Deus porque foi a primeira a ir ao túmulo de manhã. Não foi Jesus que foi bater na porta da casa dela para acordá-la. Ela não dormiu. Ela não reconheceu Jesus porque estava também com sono. Ela estava aos pés da cruz de Jesus e passou o tempo todo preparando o perfume e chorando. Ela passou aquela noite caminhando para estar lá de manhãzinha. Porque ela teve a coragem de ir atrás do ressuscitado, ela recebeu a missão de anunciar a noticia mais importante da face da terra. A notícia que deu origem a nossa fé foi dada ao Papa pela pior de todas as prostitutas. Talvez só não fosse pior que Maria de Betânia, porque essa era prostituta de leprosos. A pior de todas. E que também teve um encontro lindo com o Senhor. Nós vamos entender a ressurreição de Jesus em nossa vida o dia em que tivermos à beira de um apedrejamento. Aquele dia que Maria Madalena foi levada para Jesus, nada nem ninguém poderia salva-la. Ela estava morta. É o primeiro e único grande passo que precisamos dar se queremos ter um encontro com Jesus ressuscitado. Enquanto existir em nosso coração alguma esperança de saída, nós não nos encontramos com ele. Aquele dia que trouxeram Madalena para ser apedrejada, ela sabia que estava caminhando para a morte. E quando a pessoa está à beira da morte nada mais presta. Do que adianta máscara? Falsos amigos? Família? Nada adianta. A sua dor quem vai viver é você. Na hora da dor você está sozinho. Madalena estava sozinha, desnuda, humilhada. E infelizmente não era mentira. Ela tinha sido pega em flagrante. Por isso, que quando aquele homem se abaixou e olhou para ela... Ela nunca mais esqueceu. É o olhar de Jesus para Pedro que o negou. Imagine o olhar do homem que salvou a sua vida para toda a eternidade. Quem tem um encontro assim com Jesus não esquece jamais. Agora, se nós nos contentamos com alguns esbarrões... Um encontro de vez em quando... E depois voltamos para casa com o coração cheio de mágoas, cheio de ódio, pensando as bobagens de sempre. Quem sabe estou num encontro, mas no meu bolso tem uma camisinha... Ou estou com droga na minha bolsa... Vou até com o meu namorado, passo um dia ou dois e depois vamos nos prostituir. Que encontro eu tenho com o ressuscitado? O que é que tem? Eu sou jovem! Posso fumar um baseado, posso tomar um pouco de cerveja. É tão bom. Vou num encontro, mas quando chego em casa ninguém pode falar comigo que leva pedrada, eu não tenho abertura para dialogar com ninguém... Nós só teremos um encontro com o ressuscitado o dia em que tivermos uma certeza por experiência: sem Jesus a minha vida não existe, sem Jesus eu estou morto.
Igual ao filho pródigo: “Eu vou voltar”. Enquanto estava com dinheiro estava cheio de amigos. Temos que nos convencer de que as pessoas não gostam da gente. Temos que deixa de sermos besta. Para ganhar amor de alguém temos de viver de máscaras? Eu não tenho coragem de viver a minha fé? “Para os meus amigos eu não falo que sou da igreja, porque senão eu os perco. ”Se você quer alguém que o ame sem nenhuma máscara, precisa fazer como Maria Madalena, um encontro com Jesus á margem do apedrejamento. Quem nunca passou pela experiência da solidão não sabe o que é um encontro com o Senhor. Mas pode ficar sossegado, se você não passou, vai passar ainda. Deus ainda vai dar essa chance. Mas é preciso agarrá-la. E a grande chance que nós temos é na Eucaristia, que é o corpo e o sangue do Ressuscitado. Que encontro eu quero ter com ele? Ou eu quero voltar como o filho pródigo, para a festa, para a farra. Na hora que ele mais precisou, quando estava cuidando de porcos, ele pensou: “Na casa de meu pai até os empregados tem pão em abundância. E eu estou aqui passando fome. Eu vou voltar.” Ele precisou chegar no chiqueiro. Madalena chegou ao mais baixo que poderia chegar. Já estavam com as pedras na mão. E ali ela teve um encontro com Jesus.
Eu queria convidar você, para que hoje tivesse esse encontro pessoal com Jesus ressuscitado. E, a única coisa que depende, para que isso aconteça, é que verdadeiramente lhe abramos o coração.

“Eu quero Senhor, eu preciso. Eu estou numa situação tão terrível. Estou vivendo numa hipocrisia tão grande... E sem esse encontro contigo, eu já estou sendo apedrejado pelo ódio, pela mentira, pelos meus erros, pelos meus vícios. O Senhor que olhou para Maria Madalena e não perguntou nada do seu passado, mesmo sabendo que ela era uma prostituída, que merecia a morte. Eu também Senhor, já usei tão errado o meu corpo, minha inteligência, meu dinheiro, minha liberdade. E eu acabei caindo num chiqueiro, no fundo de um poço de falta de amor. Mas hoje eu quero voltar para ti. Eu quero ter um encontro pessoal com a sua misericórdia, com a ressurreição. Eu preciso ter esse encontro contigo hoje Senhor.

Pe. Léo, SCJ
Fonte: Comunicação Bethânia

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Evangelizar, um exercício de criatividade.





Paróquias, sejam laboratórios da perfeição da vida cristã!

“A Igreja tem consciência viva de que a palavra do Salvador, 'Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus', se aplica a ela com toda a verdade. Assim, ela acrescenta de bom grado com São Paulo: 'Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho' [...]. Nós queremos confirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja; tarefa e missão, que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, que é o memorial da Sua morte e gloriosa ressurreição” (EN 14).
Anunciar Jesus Cristo começa com o testemunho de vida. Nossas Paróquias, com suas Comunidades, Pastorais, Movimentos e Serviços, são chamadas a resplandecer pela alegria da acolhida. Conheço uma família que retornou à prática da vida cristã apenas porque encontrou o Pároco cumprimentando os fiéis à porta da Paróquia. A resposta que esta esperava chegou antes do sermão!
Nossas Paróquias são chamadas a serem verdadeiros laboratórios da perfeição da vida cristã, o que se alcança na abertura à graça de Deus expressa numa intensa vida sacramental. A prática do sacramento da penitência será um dos “treinamentos intensivos” nesta estrada de santidade. A Eucaristia, bem preparada e celebrada, será o ponto alto de nossa vida, pois para ela convergem nossos esforços para viver como cristãos e de lá, fonte inesgotável, brotam todas as graças, pois perfeição cristã é antes dom do que conquista.
Evangelizar é falar de Deus! Faz-se necessário rever continuamente nossa linguagem de evangelizadores. Da Homilia à Leitura Orante da Palavra, das Comunidades menores aos Grupos de reflexão dos diversos movimentos, todos são chamados a rever sua forma de comunicar a Palavra do Evangelho. Deus não é complicado, mas vem ao nosso encontro, tanto que o Verbo se fez carne! É bom aprender de novo com as parábolas do Evangelho e aceitar o desafio de chegar, com palavras atuais, mas verdadeiras, ao coração de todos, especialmente os jovens. Recentemente fiz um convite a um grupo de universitários e o estendo a todos: a se tornarem parábolas vivas para o mundo em que vivemos.
Evangelizar é ainda um exercício de criatividade, numa Igreja que é muito rica de manifestações da fé. Não desejamos passar um "rolo compressor", escolhendo apenas uma forma de trabalho, mas estar abertos aos caminhos suscitados pelo Espírito Santo. Ser criativos é também valorizar o que os outros sabem e podem fazer, sem ciúme nem inveja. Que todos os grupos e métodos de apostolado aqui existentes olhem todo o bem que se faz e todos os métodos de trabalho como propriedade da família dos filhos de Deus, sem exclusivismos nem julgamentos. Da parte do Pastor da Igreja, saibam que haverá a plena abertura para o discernimento e o apoio a quem quer anunciar o Evangelho, inclusive abrindo fronteiras até agora inexploradas.
Enfim, evangelizar é justamente olhar com abertura para o horizonte missionário que se abre, pois muitas pessoas ainda se encontram ou se sentem afastadas da Igreja. Trata-se de uma verdadeira conversão pastoral, como pediu o Documento de Aparecida, uma “firme decisão missionária que deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais de dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja. Nenhuma comunidade deve se isentar de entrar decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” (DA 365).

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Missa explicada por padre Pio


Do sinal da cruz inicial até o ofertório, é preciso encontrar Jesus.

Padre Pio era o modelo de cada padre... Não se podia assistir "à sua Missa", sem que nos tornássemos, quase sem perceber, "participantes" desse drama que se vivia a cada manhã sobre o altar. Crucificado com o Crucificado, o Padre revivia a Paixão de Jesus com grande dor, da qual fui testemunha privilegiada, pois lhe ajudava, na Missa.
Ele nos ensinava que nossa Salvação só se poderia obter se, em primeiro lugar, a cruz fosse plantada na nossa vida. Dizia: "Creio que a Santíssima Eucaristia é o grande meio para aspirar à Santa Perfeição, mas é preciso recebê-La com o desejo e o engajamento de arrancar, do próprio coração, tudo o que desagrada Àquele que queremos ter em nós".(27 de julho 1917).
Pouco depois da minha ordenação sacerdotal, explicou-me ele que, durante a celebração da Eucaristia, era preciso colocar em paralelo a cronologia da Missa e a da Paixão. Trata-se, antes de tudo, de compreender e de realizar que o Padre no altar É Jesus Cristo. Desde então, Jesus, em seu Padre, revive indefinidamente a mesma Paixão.
Do sinal da cruz inicial até o Ofertório, é preciso ir encontrar Jesus no Getsemani, é preciso seguir Jesus na Sua agonia, sofrendo diante deste "mar de lama" do pecado. É preciso unir-se a Jesus em sua dor de ver que a Palavra do Pai, que Ele veio nos trazer, não é recebida pelos homens, nem bem nem mal. E, a partir desta visão, é preciso escutar as leituras da Missa como sendo dirigidas a nós, pessoalmente .
O Ofertório: É a prisão, chegou a hora...
O Prefácio: É o canto de louvor e de agradecimento que Jesus dirige ao Pai, e que Lhe permitiu, enfim, chegar a esta "Hora".
Desde o início da oração Eucarística até a Consagração : Nós nos unimos (rapidamente!...) a Jesus em Seu aprisionamento, em Sua atroz flagelação, na Sua coroação de espinhos e Seu caminhar com a cruz nas costas, pelas ruelas de Jerusalém e, no "Memento", olhando todos os presentes e aqueles pelos quais rezamos especialmente.
A Consagração nos dá o Corpo entregue agora, o Sangue derramado agora. Misticamente, é a própria crucifixão do Senhor. E é por isso que Padre Pio sofria atrozmente neste momento da Missa.
Nós nos uníamos em seguida a Jesus na cruz, oferecendo ao Pai, desde esse instante, o Sacrifício Redentor. Este é o sentido da oração litúrgica que segue imediatamente à consagração.
"Por Cristo com Cristo e em Cristo" corresponde ao grito de Jesus: "Pai, nas Tuas Mãos entrego o Meu Espírito!" Desde então, o sacrifício é consumado pelo Cristo e aceito pelo Pai. Daqui por diante, os homens não mais estão separados de Deus e se encontram de novo unidos. É a razão pela qual, nesse instante, recita-se a oração de todos os filhos: "Pai Nosso...".
A fração da hóstia indica a Morte de Jesus...
A Intinção, instante em que o Padre, tendo partido a hóstia (símbolo da morte...), deixa cair uma parcela do Corpo de Cristo no cálice do Precioso Sangue, marca o momento da Ressurreição, pois o Corpo e o Sangue estão de novo reunidos e é ao Cristo Vivo que vamos comungar.
A Bênção do Padre marca os fiéis com a cruz, ao mesmo tempo como um extraordinário distintivo e como um escudo protetor contra os assaltos do Maligno...
Depois de ter escutado uma tal explicação dos lábios do próprio Padre e sabendo bem que ele vivia dolorosamente tudo aquilo, compreende-se que me tenha pedido segui-lo neste caminho... o que eu fazia cada dia... E com que alegria!
Pe. Jean Derobert
Palavras do padre Pio
Jesus me consolou. Em 18 de abril de 1912, depois de uma luta terrível contra o inferno, a consolação do Senhor me veio depois da Missa: "Ao final da missa, conversei com Jesus para a ação de graças. Oh quanto foi suave o colóquio mantido com o paraíso nessa manhã!... O coração de Jesus e o meu se fundiram. Não eram mais dois que batiam, mas um só. Meu coração tinha desaparecido como uma gota de água se dissolve no mar... - Padre Pio chorava de alegria.- Quando o paraíso invade um coração, esse coração aflito, exilado, fraco e mortal não pode suporta-lo sem chorar...".
Ao Pe Agostinho, 18/04/1912, em "Padre Pio, Transparent de Dieu", J.Derobert.
Confidências a seus filhos espirituais
"Minha missa é uma mistura sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo", disse ele chorando.
"Na Paixão de Jesus, encontrarão também a minha".
"Não desejo o sofrimento por ele mesmo, não; mas pelos frutos que me dá. Ele dá glória a Deus e salva meus irmãos, que mais posso desejar?".
"A que momento do Divino Sacrifício mais sofreis?". - Da consagração à comunhão." "Durante o ofertório?. - É neste momento que a alma é separada das coisas profanas."
"A consagração?". - É verdadeiramente aí que advém uma nova admirável destruição e criação."
"A Comunhão? Na comunhão, sofreis a morte? - Misticamente, sim. - Por veemência de amor ou de dor? - Por uma e outra: mas mais por amor."
"Sofreis toda e sempre a Paixão de Jesus?". - Sim, por Sua bondade e Sua condescendência, tanto quanto é possível a uma criatura humana. - E como podeis trabalhar com tanta dor? - Encontro o meu repouso sobre a cruz."
"Como nós devemos ouvir a Santa Missa?". - Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz "". Pe. Tarcísio, Congresso de Udine, 1972.