O sacerdote mais jovem do mundo.
Sexta feira 9 de Abril de 1976, milhares de italianos aguardam diante da televisão um acontecimento invulgar: a primeira – e última – homilia do mais jovem sacerdote do mundo, gravada dois dias antes. Cesare Bisognin, ordenado há poucos dias, tem 19 anos apenas. Está morrendo, e a emissão foi gravada no seu quarto de hospital.
Este rosto tão jovem e já no termo da vida, mas sobretudo as suas palavras comovem e interpelam a todos. Chegam numerosas cartas de encorajamento, com promessas de oração, mas essencialmente de testemunhos incríveis de doentes, pessoas sofredoras, abandonadas a agradecerem a coragem e confiança que recuperaram através do jovem sacerdote e das suas palavras reconfortantes, pacificadoras. Uma das missivas mais comoventes era enviada da penitenciária de Turim, cujos detidos convidavam Cesare a celebrar uma eucaristia com eles, ficando a cargo deles todas as despesas inerentes ao transporte e equipamento médicos. A saúde não lhe permitindo tal iniciativa, o jovem padre gravar-lhes-á uma mensagem agradecida e de encorajamento.
O Card. Pellegrino, arcebispo de Turim questionou-se bastante acerca da oportunidade da ordenação do seu jovem seminarista cujos estudos de teologia foram interrompidos por um câncer dos ossos. A mobilização dos companheiros, professores, formadores e amigos de Cesare, juntamente com o testemunho de vida deste último, convenceram o prelado a tomar tal decisão. Ao Cesare, antes da ordenação, D. Pellegrino confiou a seguinte missão: “Vais conhecer o valor do silêncio e da solidão. Desde o teu leito de dor, anunciarás Cristo, no sofrimento exercerás o teu sacerdócio… Estamos seguros que o teu sofrimento dará muito fruto e servirá a muitos, exactamente como o grão de trigo semeado que morre.”
Aos céticos, o arcebispo de Turim respondeu: “Ele pode viver o ministério segundo um modo mais profundo, o da imolação com e em Cristo Sacerdote e Hóstia, pela Igreja.”



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