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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Encontro com o Cristo Ressuscitado.



Depois de ressuscitar na madrugada do primeiro dia, após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, de quem tinha expulsado sete demônios. Ela anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando viram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos, enquanto estavam comendo, repreendeu-lhes por causa da falta de fé e pela dureza de coração. Porque não tinham acreditado naquele que tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: “Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura”.
Nesta tarde, somos convidados, somos ordenados a ir pelo mundo anunciar o Evangelho, mas não anunciar de qualquer jeito, a primeira leitura nos mostra como o evangelho deve ser anunciado, com testemunho, com força, anunciado no poder de Deus. O povo ficava admirado de ver de onde vinha, que força era aquela que levava Pedro e João, dois pescadores pecadores ignorantes da Galiléia a pregar com aquela intrepidez que pregavam, com a coragem que pregavam. As pessoas ficavam admiradas. De onde vinha aquela sabedoria? E o segredo estava no conteúdo que eles pregavam. Eles não falavam de teorias. Teorias nós precisamos estudar. Teoria não é pregação, é palestra. O Evangelho precisa ser comunicado, e ele é comunicado a partir da experiência que nós vamos fazendo de Jesus. Esse é o primeiro grande segredo da palavra de hoje. Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho.
Marcos foi um jovem que seguiu Jesus. Um menino com uma força tão grande que ao ser preso saiu pelado de dentro da túnica, pois agarraram nela. Marcos fez uma experiência pessoal de Jesus através de Pedro. A mãe dele também era uma discípula de Jesus. Para ele o Evangelho tem nome, não é um conjunto de normas. Evangelho, em Marcos é igual a Jesus. Por isso que ele divide o Evangelho: capítulo 1, 8 e 16. No capitulo 8 do evangelho de São Marcos, ele coloca uma pergunta. Dos versículos um ao oito ele pergunta: “Quem é Jesus?”. Dos versículos 8 a 16 ele mostra quem é Jesus. Marcos se ocupou com uma grande missão: anunciar uma pessoa, levar as pessoas a terem um encontro pessoal com Jesus Cristo vivo. Jesus é a boa notícia que o mundo precisa conhecer. Jesus é o conteúdo do Evangelho. Mas para se chegar a essa comunicação pessoal de Jesus, a palavra hoje nos diz que precisamos ter um encontro pessoal com Deus. Qual é o segredo que levou João e Pedro a anunciar com a intrepidez que pregaram? Tiveram um encontro pessoal com Jesus.
Madalena é a única personagem citada nos quatro evangelhos, que teve um encontro pessoal com Jesus. E Jesus tinha expulsado dela sete demônios. Significa que o demônio já tinha dominado sua afetividade, sua sexualidade, sua economia, seu corpo, sua, mente, seu coração, sua linguagem. O demônio vai agindo em nós aos poucos, ele não nasce de uma hora para outra em sua vida, ele vai dominando áreas de nossa vida, ele vai nos seduzindo aos poucos. Ele vai entrando em nosso ouvido, em nossos olhos, em nossa cabeça, em nosso coração, em nosso bolso, quando eu começo a viver para o pecado e para as coisas do pecado. Afirmar que uma pessoa era dominada por sete demônios era afirmar que ela era completamente dominada pelo demônio. Quem era essa Maria Madalena ou de Magdala? Magdala é um lugarejo que fica às margens do mar da Galiléia, onde passavam muitas pessoas, pois era um caminho, onde tinha um grande exército. Magdala significa quartel. Maria Madalena é Maria, aquela que atende o quartel. A responsável pelo exército de prostituídas, de prostituidores. É muito provável, pelo contexto bíblico, que Madalena, de fato foi uma prostituta. E não só uma prostituta, ela era ponto de referência. Madalena não é sobrenome, não é um segundo nome. Madalena se refere ao lugar e a profissão que representava. Madalena é como se fosse hoje da luz vermelha. Era uma pecadora, uma grande pecadora. Muito provavelmente, essa mulher é a mesma personagem do capítulo 8 de São João. Há muitas dúvidas. Até porque, confundiram muitas vezes madalena com Maria de Betânia, aquela que ungiu o Senhor, que também era prostituta, que também tinha sete demônios, mas não eram a mesma personagem. Porque principalmente no Evangelho de São Lucas, quando ele fala daquela mulher no capítulo sete, ele não cita o nome, ele diz que foi em Betânia. E no capítulo 8, quando ele cita discípulas de Jesus, ele cita Maria Madalena. Mas muito provavelmente Madalena foi aquela mulher pega em flagrante adultério. E a lei era muito clara. Quando uma pessoa era pega em flagrante adultério, ela tinha que ser publicamente apedrejada. E veja que São João diz no capítulo 8 que os fariseus e os doutores da lei já haviam decidido prejudicar Jesus. Eles queriam eliminar Jesus, eles estavam buscando uma fraqueza dele. E é muito provável que eles tenham montado a situação daquela mulher. Já que Jesus conhecia aquela mulher, não teria problema de Jesus colocar em dúvida o pecado dela. Eles buscaram a prostituta mais conhecida da região, eles montaram um teatro para Jesus.
Eles estavam armando, pois se Jesus dissesse para apedrejar a mulher, eles iriam perguntar: “Onde está a misericórdia que o Senhor fala tanto? Onde está o perdão que o Senhor fala?”. E se Jesus dissesse: “Não joguem pedras”. Eles iriam perguntar: “E a lei de Moisés?” Era uma armadilha, foi tudo montado, o cenário era perfeito para destruir Jesus. O que Jesus fez? A primeira coisa que Jesus faz é um gesto fabuloso, ele se abaixou, pois para escrever no chão, tinha que ser agachado. Abaixado, ele olhou para os doutores, e o rosto dele fica no mesmo ângulo dela. Ele ficou da altura dela. E diz: “Quem de vocês não tem pecado que atire a primeira pedra”. E se alguém jogasse a pedra, iria acertar primeiro em Jesus. E esse é um dos conteúdos mais essenciais do Evangelho: ao tocar pedra em alguém, eu acerto em Jesus. Mateus 25: “Aquilo que você fizer ao menor dos meus irmãos e para mim”. Não tem escapatória. Cada vez que você fala mal de alguém, você está jogando pedra em Jesus. Isso é terrível! O maior pecado que nós cometemos é esse, a falta de amor verdadeiro, a briga e divisão nas comunidades.
Diz São João, que começando pelos mais velhos, foram enfiando o rabinho por entre as pernas. Não sobrou um. E Jesus olha para ela: “Não te condenaram? Eu também não te condeno”. E levantou. Jesus se abaixou para defendê-la, ficou do tamanho da prostituta, para fazer com que ela fique do tamanho dele. E depois Jesus a levanta. A primeira ressurreição dela foi ali. Essa mulher se tornou uma especialista em ressurreição, pois quando essa mulher chegou arrastada para Jesus, ela estava morta. E ela sabia que estava morta. Não era mentira. Jesus não disse que era mentira. Jesus não perguntou: “É verdade que essa senhora foi pega numa situação indecorosa?”. Mas Jesus também não falou: “Minha filha, o que a levou a essa vida? Você teve algum problema psicológico, afetivo em sua infância ou sua adolescência”. Ele não condenou. Jesus não olha o passado nunca. Quando a mulher chegou estava morta e de mortos não olhamos o passado. Jesus disse: “Deixe que os mortos se encarreguem com seus mortos”. Essa mulher ressuscitou. Jesus desceu ao inferno dela nesse dia. E ao inferno deles também. E levantou-a. E, a partir daquele dia, ela tornou-se a discípula número um de Jesus. Porque São Marcos disse no Evangelho que no primeiro dia depois do sábado de madrugada, a primeira pessoa que viu o Ressuscitado foi Maria Madalena. São João conta como ela reconheceu. Ela não tinha medo de andar no escuro, pois estava acostumada, já que se prostituía, passava a noite inteira atrás de fregueses. E agora que ela conhecia o único homem que lhe amou na vida, que não usou o seu corpo, mas contemplou o seu espírito. E diz o Evangelho que ela levou perfumes para Jesus. Quando nós lemos a história de Maria de Betânia, sabemos que ela tem um vidro de perfume com mais de meio litro de perfume caríssimo, de nardo puro, que a flor da pureza. Essa mulher tinha muito dinheiro. Aquele perfume era a somatória de muito pecado. E por que o Evangelho fala de perfume? E fala de Maria Madalena que foi levar perfume no túmulo? Porque a bíblia sabe muito bem que as mulheres especialistas em perfume eram as prostitutas. Por quê? Como uma mulher se prostituía? Ela mostrava a perna para o freguês? Ela podia pôr um decote maior? Não. Como um homem sabia que uma mulher era prostituta? Pela quantidade de perfume. Por isso que Paulo falou: “Vocês tem que ser o perfume de Deus para o mundo”. E não o fedor do diabo para a história. O perfume de Deus, que atrai, que seduz. Jeremias 20, 7: “Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir”. É a mesma experiência.
O primeiro dia da semana, de madrugada, ela vai. Para alguns ela vai sozinha, outros evangelistas dizem que ela levou colegas junto. Ela não tem medo. Ela foi antes que qualquer discípulo. Ela vai porque amava demais Jesus, e leva perfume para jogar em cima do túmulo. Como o túmulo de Jesus foi feito às pressas, não era nem dele. Ele morreu na sexta-feira, e às seis horas da tarde já não se podia fazer nada, pois começava o sábado da páscoa. Ninguém podia colocar a mãe em defuntos, então eles amarraram Jesus rapidinho, embrulharam num pano e o colocaram no túmulo. Só iriam terminar o ritual no domingo ou na segunda. Ela leva perfume para cuidar do corpo de Jesus, pois já fedia muito mesmo antes de morrer. Quando ela chega lá, não encontra Jesus. Jesus já está vivo, olha para ela e fala: “Mulher, por que choras?”. Ela estava com os olhos tão cheios de água, que não o reconhece. Os discípulos de Emaús também não reconheceram. Ela disse: “Se foi o Senhor, fala onde colocou o corpo que eu vou atrás”. Quem experimenta a ressurreição de Jesus vai atrás a qualquer canto. Em qualquer hora. Maria Madalena indo de madrugada atrás de Jesus é um rosto de um jovem que sai pelas ruas atrás de cocaína, atrás de crack. Nós entendemos de amor quando vemos um filho desesperado atrás de um cigarro, de um gole de cachaça. Quando é que ela reconheceu Jesus? Quando Jesus a chamou de Maria. Vocês imaginem a entonação de vós com esse nome. Esse era o nome de mulher que Jesus mais repetiu na sua vida. Todo mundo a chamavaela de Madalena, Magdala, prostituta. Mas o Senhor a chamava de Maria. Jesus não olha o seu passado. Jesus não olha para nossas máscaras. Ele não está nem aí para nossa função, cargo, profissão, bens. Isso quem gosta é o encardido. Jesus olha para o que somos na essência. Isaías nos diz: “O Senhor que me chama pelo nome”. E Jesus a chama de Maria. Ele deve ter falado Miriã. Quando ela escutou o seu nome com aquela entonação, ela sabia, só podia ser. Ninguém falava igual. Ela vira e diz: “Raboni, Mestre!”. Só os discípulos podiam usar esse título. “A prova mais fundamental de que Jesus tinha discípulas”. Mas aqui não se trata apenas de uma discípula. É tão importante esse encontro que está nominalmente nos quatro evangelhos. E também o ressuscitado nos ensina o que é amar. Ali ele deve ter se lembrado da primeira vez que ele se encontrou com Maria. Ele se encontrou com Maria pouco antes de sua morte. Maria encontrou com ele pouco depois da ressurreição dele. Qual é a notícia mais importante da face da terra? Quando Jesus nasceu, mandou um anjo anunciar a Maria. Mas na notícia mais importante da face da terra, o próprio Jesus ressuscitado incumbiu uma prostituída, que veio até ele pouco antes de ser apedrejada. A pior prostituída de Israel recebeu a missão de comunicar a notícia mais importante da face da terra ao Papa. Pedro já era Papa. Mateus 16: “Sobre essa terra edificarei a minha igreja”. Aos apóstolos. Os apóstolos são as colunas da Igreja. Só os apóstolos participaram da última ceia, só eles receberam o ministério sacerdotal, o ministério episcopal. Entende o que é amar? Jesus pega aquela mulher, que veio lá para morrer, e transforma na maior e mais importante evangelizadora que a terra conheceu. Por isso ela aparece nos quatro evangelhos, na ressurreição. Foi a escolhida por Deus porque foi a primeira a ir ao túmulo de manhã. Não foi Jesus que foi bater na porta da casa dela para acordá-la. Ela não dormiu. Ela não reconheceu Jesus porque estava também com sono. Ela estava aos pés da cruz de Jesus e passou o tempo todo preparando o perfume e chorando. Ela passou aquela noite caminhando para estar lá de manhãzinha. Porque ela teve a coragem de ir atrás do ressuscitado, ela recebeu a missão de anunciar a noticia mais importante da face da terra. A notícia que deu origem a nossa fé foi dada ao Papa pela pior de todas as prostitutas. Talvez só não fosse pior que Maria de Betânia, porque essa era prostituta de leprosos. A pior de todas. E que também teve um encontro lindo com o Senhor. Nós vamos entender a ressurreição de Jesus em nossa vida o dia em que tivermos à beira de um apedrejamento. Aquele dia que Maria Madalena foi levada para Jesus, nada nem ninguém poderia salva-la. Ela estava morta. É o primeiro e único grande passo que precisamos dar se queremos ter um encontro com Jesus ressuscitado. Enquanto existir em nosso coração alguma esperança de saída, nós não nos encontramos com ele. Aquele dia que trouxeram Madalena para ser apedrejada, ela sabia que estava caminhando para a morte. E quando a pessoa está à beira da morte nada mais presta. Do que adianta máscara? Falsos amigos? Família? Nada adianta. A sua dor quem vai viver é você. Na hora da dor você está sozinho. Madalena estava sozinha, desnuda, humilhada. E infelizmente não era mentira. Ela tinha sido pega em flagrante. Por isso, que quando aquele homem se abaixou e olhou para ela... Ela nunca mais esqueceu. É o olhar de Jesus para Pedro que o negou. Imagine o olhar do homem que salvou a sua vida para toda a eternidade. Quem tem um encontro assim com Jesus não esquece jamais. Agora, se nós nos contentamos com alguns esbarrões... Um encontro de vez em quando... E depois voltamos para casa com o coração cheio de mágoas, cheio de ódio, pensando as bobagens de sempre. Quem sabe estou num encontro, mas no meu bolso tem uma camisinha... Ou estou com droga na minha bolsa... Vou até com o meu namorado, passo um dia ou dois e depois vamos nos prostituir. Que encontro eu tenho com o ressuscitado? O que é que tem? Eu sou jovem! Posso fumar um baseado, posso tomar um pouco de cerveja. É tão bom. Vou num encontro, mas quando chego em casa ninguém pode falar comigo que leva pedrada, eu não tenho abertura para dialogar com ninguém... Nós só teremos um encontro com o ressuscitado o dia em que tivermos uma certeza por experiência: sem Jesus a minha vida não existe, sem Jesus eu estou morto.
Igual ao filho pródigo: “Eu vou voltar”. Enquanto estava com dinheiro estava cheio de amigos. Temos que nos convencer de que as pessoas não gostam da gente. Temos que deixa de sermos besta. Para ganhar amor de alguém temos de viver de máscaras? Eu não tenho coragem de viver a minha fé? “Para os meus amigos eu não falo que sou da igreja, porque senão eu os perco. ”Se você quer alguém que o ame sem nenhuma máscara, precisa fazer como Maria Madalena, um encontro com Jesus á margem do apedrejamento. Quem nunca passou pela experiência da solidão não sabe o que é um encontro com o Senhor. Mas pode ficar sossegado, se você não passou, vai passar ainda. Deus ainda vai dar essa chance. Mas é preciso agarrá-la. E a grande chance que nós temos é na Eucaristia, que é o corpo e o sangue do Ressuscitado. Que encontro eu quero ter com ele? Ou eu quero voltar como o filho pródigo, para a festa, para a farra. Na hora que ele mais precisou, quando estava cuidando de porcos, ele pensou: “Na casa de meu pai até os empregados tem pão em abundância. E eu estou aqui passando fome. Eu vou voltar.” Ele precisou chegar no chiqueiro. Madalena chegou ao mais baixo que poderia chegar. Já estavam com as pedras na mão. E ali ela teve um encontro com Jesus.
Eu queria convidar você, para que hoje tivesse esse encontro pessoal com Jesus ressuscitado. E, a única coisa que depende, para que isso aconteça, é que verdadeiramente lhe abramos o coração.

“Eu quero Senhor, eu preciso. Eu estou numa situação tão terrível. Estou vivendo numa hipocrisia tão grande... E sem esse encontro contigo, eu já estou sendo apedrejado pelo ódio, pela mentira, pelos meus erros, pelos meus vícios. O Senhor que olhou para Maria Madalena e não perguntou nada do seu passado, mesmo sabendo que ela era uma prostituída, que merecia a morte. Eu também Senhor, já usei tão errado o meu corpo, minha inteligência, meu dinheiro, minha liberdade. E eu acabei caindo num chiqueiro, no fundo de um poço de falta de amor. Mas hoje eu quero voltar para ti. Eu quero ter um encontro pessoal com a sua misericórdia, com a ressurreição. Eu preciso ter esse encontro contigo hoje Senhor.

Pe. Léo, SCJ
Fonte: Comunicação Bethânia

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