Encontro com o Cristo Ressuscitado.
Depois de ressuscitar na madrugada do primeiro dia, após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, de quem tinha expulsado sete demônios. Ela anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando viram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos, enquanto estavam comendo, repreendeu-lhes por causa da falta de fé e pela dureza de coração. Porque não tinham acreditado naquele que tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: “Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura”.
Nesta tarde, somos convidados, somos ordenados a ir pelo mundo anunciar o Evangelho, mas não anunciar de qualquer jeito, a primeira leitura nos mostra como o evangelho deve ser anunciado, com testemunho, com força, anunciado no poder de Deus. O povo ficava admirado de ver de onde vinha, que força era aquela que levava Pedro e João, dois pescadores pecadores ignorantes da Galiléia a pregar com aquela intrepidez que pregavam, com a coragem que pregavam. As pessoas ficavam admiradas. De onde vinha aquela sabedoria? E o segredo estava no conteúdo que eles pregavam. Eles não falavam de teorias. Teorias nós precisamos estudar. Teoria não é pregação, é palestra. O Evangelho precisa ser comunicado, e ele é comunicado a partir da experiência que nós vamos fazendo de Jesus. Esse é o primeiro grande segredo da palavra de hoje. Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho.
Marcos foi um jovem que seguiu Jesus. Um menino com uma força tão grande que ao ser preso saiu pelado de dentro da túnica, pois agarraram nela. Marcos fez uma experiência pessoal de Jesus através de Pedro. A mãe dele também era uma discípula de Jesus. Para ele o Evangelho tem nome, não é um conjunto de normas. Evangelho, em Marcos é igual a Jesus. Por isso que ele divide o Evangelho: capítulo 1, 8 e 16. No capitulo 8 do evangelho de São Marcos, ele coloca uma pergunta. Dos versículos um ao oito ele pergunta: “Quem é Jesus?”. Dos versículos 8 a 16 ele mostra quem é Jesus. Marcos se ocupou com uma grande missão: anunciar uma pessoa, levar as pessoas a terem um encontro pessoal com Jesus Cristo vivo. Jesus é a boa notícia que o mundo precisa conhecer. Jesus é o conteúdo do Evangelho. Mas para se chegar a essa comunicação pessoal de Jesus, a palavra hoje nos diz que precisamos ter um encontro pessoal com Deus. Qual é o segredo que levou João e Pedro a anunciar com a intrepidez que pregaram? Tiveram um encontro pessoal com Jesus.
Madalena é a única personagem citada nos quatro evangelhos, que teve um encontro pessoal com Jesus. E Jesus tinha expulsado dela sete demônios. Significa que o demônio já tinha dominado sua afetividade, sua sexualidade, sua economia, seu corpo, sua, mente, seu coração, sua linguagem. O demônio vai agindo em nós aos poucos, ele não nasce de uma hora para outra em sua vida, ele vai dominando áreas de nossa vida, ele vai nos seduzindo aos poucos. Ele vai entrando em nosso ouvido, em nossos olhos, em nossa cabeça, em nosso coração, em nosso bolso, quando eu começo a viver para o pecado e para as coisas do pecado. Afirmar que uma pessoa era dominada por sete demônios era afirmar que ela era completamente dominada pelo demônio. Quem era essa Maria Madalena ou de Magdala? Magdala é um lugarejo que fica às margens do mar da Galiléia, onde passavam muitas pessoas, pois era um caminho, onde tinha um grande exército. Magdala significa quartel. Maria Madalena é Maria, aquela que atende o quartel. A responsável pelo exército de prostituídas, de prostituidores. É muito provável, pelo contexto bíblico, que Madalena, de fato foi uma prostituta. E não só uma prostituta, ela era ponto de referência. Madalena não é sobrenome, não é um segundo nome. Madalena se refere ao lugar e a profissão que representava. Madalena é como se fosse hoje da luz vermelha. Era uma pecadora, uma grande pecadora. Muito provavelmente, essa mulher é a mesma personagem do capítulo 8 de São João. Há muitas dúvidas. Até porque, confundiram muitas vezes madalena com Maria de Betânia, aquela que ungiu o Senhor, que também era prostituta, que também tinha sete demônios, mas não eram a mesma personagem. Porque principalmente no Evangelho de São Lucas, quando ele fala daquela mulher no capítulo sete, ele não cita o nome, ele diz que foi em Betânia. E no capítulo 8, quando ele cita discípulas de Jesus, ele cita Maria Madalena. Mas muito provavelmente Madalena foi aquela mulher pega em flagrante adultério. E a lei era muito clara. Quando uma pessoa era pega em flagrante adultério, ela tinha que ser publicamente apedrejada. E veja que São João diz no capítulo 8 que os fariseus e os doutores da lei já haviam decidido prejudicar Jesus. Eles queriam eliminar Jesus, eles estavam buscando uma fraqueza dele. E é muito provável que eles tenham montado a situação daquela mulher. Já que Jesus conhecia aquela mulher, não teria problema de Jesus colocar em dúvida o pecado dela. Eles buscaram a prostituta mais conhecida da região, eles montaram um teatro para Jesus.
Eles estavam armando, pois se Jesus dissesse para apedrejar a mulher, eles iriam perguntar: “Onde está a misericórdia que o Senhor fala tanto? Onde está o perdão que o Senhor fala?”. E se Jesus dissesse: “Não joguem pedras”. Eles iriam perguntar: “E a lei de Moisés?” Era uma armadilha, foi tudo montado, o cenário era perfeito para destruir Jesus. O que Jesus fez? A primeira coisa que Jesus faz é um gesto fabuloso, ele se abaixou, pois para escrever no chão, tinha que ser agachado. Abaixado, ele olhou para os doutores, e o rosto dele fica no mesmo ângulo dela. Ele ficou da altura dela. E diz: “Quem de vocês não tem pecado que atire a primeira pedra”. E se alguém jogasse a pedra, iria acertar primeiro em Jesus. E esse é um dos conteúdos mais essenciais do Evangelho: ao tocar pedra em alguém, eu acerto em Jesus. Mateus 25: “Aquilo que você fizer ao menor dos meus irmãos e para mim”. Não tem escapatória. Cada vez que você fala mal de alguém, você está jogando pedra em Jesus. Isso é terrível! O maior pecado que nós cometemos é esse, a falta de amor verdadeiro, a briga e divisão nas comunidades.
Diz São João, que começando pelos mais velhos, foram enfiando o rabinho por entre as pernas. Não sobrou um. E Jesus olha para ela: “Não te condenaram? Eu também não te condeno”. E levantou. Jesus se abaixou para defendê-la, ficou do tamanho da prostituta, para fazer com que ela fique do tamanho dele. E depois Jesus a levanta. A primeira ressurreição dela foi ali. Essa mulher se tornou uma especialista em ressurreição, pois quando essa mulher chegou arrastada para Jesus, ela estava morta. E ela sabia que estava morta. Não era mentira. Jesus não disse que era mentira. Jesus não perguntou: “É verdade que essa senhora foi pega numa situação indecorosa?”. Mas Jesus também não falou: “Minha filha, o que a levou a essa vida? Você teve algum problema psicológico, afetivo em sua infância ou sua adolescência”. Ele não condenou. Jesus não olha o passado nunca. Quando a mulher chegou estava morta e de mortos não olhamos o passado. Jesus disse: “Deixe que os mortos se encarreguem com seus mortos”. Essa mulher ressuscitou. Jesus desceu ao inferno dela nesse dia. E ao inferno deles também. E levantou-a. E, a partir daquele dia, ela tornou-se a discípula número um de Jesus. Porque São Marcos disse no Evangelho que no primeiro dia depois do sábado de madrugada, a primeira pessoa que viu o Ressuscitado foi Maria Madalena. São João conta como ela reconheceu. Ela não tinha medo de andar no escuro, pois estava acostumada, já que se prostituía, passava a noite inteira atrás de fregueses. E agora que ela conhecia o único homem que lhe amou na vida, que não usou o seu corpo, mas contemplou o seu espírito. E diz o Evangelho que ela levou perfumes para Jesus. Quando nós lemos a história de Maria de Betânia, sabemos que ela tem um vidro de perfume com mais de meio litro de perfume caríssimo, de nardo puro, que a flor da pureza. Essa mulher tinha muito dinheiro. Aquele perfume era a somatória de muito pecado. E por que o Evangelho fala de perfume? E fala de Maria Madalena que foi levar perfume no túmulo? Porque a bíblia sabe muito bem que as mulheres especialistas em perfume eram as prostitutas. Por quê? Como uma mulher se prostituía? Ela mostrava a perna para o freguês? Ela podia pôr um decote maior? Não. Como um homem sabia que uma mulher era prostituta? Pela quantidade de perfume. Por isso que Paulo falou: “Vocês tem que ser o perfume de Deus para o mundo”. E não o fedor do diabo para a história. O perfume de Deus, que atrai, que seduz. Jeremias 20, 7: “Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir”. É a mesma experiência.
O primeiro dia da semana, de madrugada, ela vai. Para alguns ela vai sozinha, outros evangelistas dizem que ela levou colegas junto. Ela não tem medo. Ela foi antes que qualquer discípulo. Ela vai porque amava demais Jesus, e leva perfume para jogar em cima do túmulo. Como o túmulo de Jesus foi feito às pressas, não era nem dele. Ele morreu na sexta-feira, e às seis horas da tarde já não se podia fazer nada, pois começava o sábado da páscoa. Ninguém podia colocar a mãe em defuntos, então eles amarraram Jesus rapidinho, embrulharam num pano e o colocaram no túmulo. Só iriam terminar o ritual no domingo ou na segunda. Ela leva perfume para cuidar do corpo de Jesus, pois já fedia muito mesmo antes de morrer. Quando ela chega lá, não encontra Jesus. Jesus já está vivo, olha para ela e fala: “Mulher, por que choras?”. Ela estava com os olhos tão cheios de água, que não o reconhece. Os discípulos de Emaús também não reconheceram. Ela disse: “Se foi o Senhor, fala onde colocou o corpo que eu vou atrás”. Quem experimenta a ressurreição de Jesus vai atrás a qualquer canto. Em qualquer hora. Maria Madalena indo de madrugada atrás de Jesus é um rosto de um jovem que sai pelas ruas atrás de cocaína, atrás de crack. Nós entendemos de amor quando vemos um filho desesperado atrás de um cigarro, de um gole de cachaça. Quando é que ela reconheceu Jesus? Quando Jesus a chamou de Maria. Vocês imaginem a entonação de vós com esse nome. Esse era o nome de mulher que Jesus mais repetiu na sua vida. Todo mundo a chamavaela de Madalena, Magdala, prostituta. Mas o Senhor a chamava de Maria. Jesus não olha o seu passado. Jesus não olha para nossas máscaras. Ele não está nem aí para nossa função, cargo, profissão, bens. Isso quem gosta é o encardido. Jesus olha para o que somos na essência. Isaías nos diz: “O Senhor que me chama pelo nome”. E Jesus a chama de Maria. Ele deve ter falado Miriã. Quando ela escutou o seu nome com aquela entonação, ela sabia, só podia ser. Ninguém falava igual. Ela vira e diz: “Raboni, Mestre!”. Só os discípulos podiam usar esse título. “A prova mais fundamental de que Jesus tinha discípulas”. Mas aqui não se trata apenas de uma discípula. É tão importante esse encontro que está nominalmente nos quatro evangelhos. E também o ressuscitado nos ensina o que é amar. Ali ele deve ter se lembrado da primeira vez que ele se encontrou com Maria. Ele se encontrou com Maria pouco antes de sua morte. Maria encontrou com ele pouco depois da ressurreição dele. Qual é a notícia mais importante da face da terra? Quando Jesus nasceu, mandou um anjo anunciar a Maria. Mas na notícia mais importante da face da terra, o próprio Jesus ressuscitado incumbiu uma prostituída, que veio até ele pouco antes de ser apedrejada. A pior prostituída de Israel recebeu a missão de comunicar a notícia mais importante da face da terra ao Papa. Pedro já era Papa. Mateus 16: “Sobre essa terra edificarei a minha igreja”. Aos apóstolos. Os apóstolos são as colunas da Igreja. Só os apóstolos participaram da última ceia, só eles receberam o ministério sacerdotal, o ministério episcopal. Entende o que é amar? Jesus pega aquela mulher, que veio lá para morrer, e transforma na maior e mais importante evangelizadora que a terra conheceu. Por isso ela aparece nos quatro evangelhos, na ressurreição. Foi a escolhida por Deus porque foi a primeira a ir ao túmulo de manhã. Não foi Jesus que foi bater na porta da casa dela para acordá-la. Ela não dormiu. Ela não reconheceu Jesus porque estava também com sono. Ela estava aos pés da cruz de Jesus e passou o tempo todo preparando o perfume e chorando. Ela passou aquela noite caminhando para estar lá de manhãzinha. Porque ela teve a coragem de ir atrás do ressuscitado, ela recebeu a missão de anunciar a noticia mais importante da face da terra. A notícia que deu origem a nossa fé foi dada ao Papa pela pior de todas as prostitutas. Talvez só não fosse pior que Maria de Betânia, porque essa era prostituta de leprosos. A pior de todas. E que também teve um encontro lindo com o Senhor. Nós vamos entender a ressurreição de Jesus em nossa vida o dia em que tivermos à beira de um apedrejamento. Aquele dia que Maria Madalena foi levada para Jesus, nada nem ninguém poderia salva-la. Ela estava morta. É o primeiro e único grande passo que precisamos dar se queremos ter um encontro com Jesus ressuscitado. Enquanto existir em nosso coração alguma esperança de saída, nós não nos encontramos com ele. Aquele dia que trouxeram Madalena para ser apedrejada, ela sabia que estava caminhando para a morte. E quando a pessoa está à beira da morte nada mais presta. Do que adianta máscara? Falsos amigos? Família? Nada adianta. A sua dor quem vai viver é você. Na hora da dor você está sozinho. Madalena estava sozinha, desnuda, humilhada. E infelizmente não era mentira. Ela tinha sido pega em flagrante. Por isso, que quando aquele homem se abaixou e olhou para ela... Ela nunca mais esqueceu. É o olhar de Jesus para Pedro que o negou. Imagine o olhar do homem que salvou a sua vida para toda a eternidade. Quem tem um encontro assim com Jesus não esquece jamais. Agora, se nós nos contentamos com alguns esbarrões... Um encontro de vez em quando... E depois voltamos para casa com o coração cheio de mágoas, cheio de ódio, pensando as bobagens de sempre. Quem sabe estou num encontro, mas no meu bolso tem uma camisinha... Ou estou com droga na minha bolsa... Vou até com o meu namorado, passo um dia ou dois e depois vamos nos prostituir. Que encontro eu tenho com o ressuscitado? O que é que tem? Eu sou jovem! Posso fumar um baseado, posso tomar um pouco de cerveja. É tão bom. Vou num encontro, mas quando chego em casa ninguém pode falar comigo que leva pedrada, eu não tenho abertura para dialogar com ninguém... Nós só teremos um encontro com o ressuscitado o dia em que tivermos uma certeza por experiência: sem Jesus a minha vida não existe, sem Jesus eu estou morto.
Igual ao filho pródigo: “Eu vou voltar”. Enquanto estava com dinheiro estava cheio de amigos. Temos que nos convencer de que as pessoas não gostam da gente. Temos que deixa de sermos besta. Para ganhar amor de alguém temos de viver de máscaras? Eu não tenho coragem de viver a minha fé? “Para os meus amigos eu não falo que sou da igreja, porque senão eu os perco. ”Se você quer alguém que o ame sem nenhuma máscara, precisa fazer como Maria Madalena, um encontro com Jesus á margem do apedrejamento. Quem nunca passou pela experiência da solidão não sabe o que é um encontro com o Senhor. Mas pode ficar sossegado, se você não passou, vai passar ainda. Deus ainda vai dar essa chance. Mas é preciso agarrá-la. E a grande chance que nós temos é na Eucaristia, que é o corpo e o sangue do Ressuscitado. Que encontro eu quero ter com ele? Ou eu quero voltar como o filho pródigo, para a festa, para a farra. Na hora que ele mais precisou, quando estava cuidando de porcos, ele pensou: “Na casa de meu pai até os empregados tem pão em abundância. E eu estou aqui passando fome. Eu vou voltar.” Ele precisou chegar no chiqueiro. Madalena chegou ao mais baixo que poderia chegar. Já estavam com as pedras na mão. E ali ela teve um encontro com Jesus.
Eu queria convidar você, para que hoje tivesse esse encontro pessoal com Jesus ressuscitado. E, a única coisa que depende, para que isso aconteça, é que verdadeiramente lhe abramos o coração.
“Eu quero Senhor, eu preciso. Eu estou numa situação tão terrível. Estou vivendo numa hipocrisia tão grande... E sem esse encontro contigo, eu já estou sendo apedrejado pelo ódio, pela mentira, pelos meus erros, pelos meus vícios. O Senhor que olhou para Maria Madalena e não perguntou nada do seu passado, mesmo sabendo que ela era uma prostituída, que merecia a morte. Eu também Senhor, já usei tão errado o meu corpo, minha inteligência, meu dinheiro, minha liberdade. E eu acabei caindo num chiqueiro, no fundo de um poço de falta de amor. Mas hoje eu quero voltar para ti. Eu quero ter um encontro pessoal com a sua misericórdia, com a ressurreição. Eu preciso ter esse encontro contigo hoje Senhor.
Pe. Léo, SCJ
Fonte: Comunicação Bethânia
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Evangelizar, um exercício de criatividade.
Paróquias, sejam laboratórios da perfeição da vida cristã!
“A Igreja tem consciência viva de que a palavra do Salvador, 'Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus', se aplica a ela com toda a verdade. Assim, ela acrescenta de bom grado com São Paulo: 'Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho' [...]. Nós queremos confirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja; tarefa e missão, que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, que é o memorial da Sua morte e gloriosa ressurreição” (EN 14).
Anunciar Jesus Cristo começa com o testemunho de vida. Nossas Paróquias, com suas Comunidades, Pastorais, Movimentos e Serviços, são chamadas a resplandecer pela alegria da acolhida. Conheço uma família que retornou à prática da vida cristã apenas porque encontrou o Pároco cumprimentando os fiéis à porta da Paróquia. A resposta que esta esperava chegou antes do sermão!
Nossas Paróquias são chamadas a serem verdadeiros laboratórios da perfeição da vida cristã, o que se alcança na abertura à graça de Deus expressa numa intensa vida sacramental. A prática do sacramento da penitência será um dos “treinamentos intensivos” nesta estrada de santidade. A Eucaristia, bem preparada e celebrada, será o ponto alto de nossa vida, pois para ela convergem nossos esforços para viver como cristãos e de lá, fonte inesgotável, brotam todas as graças, pois perfeição cristã é antes dom do que conquista.
Evangelizar é falar de Deus! Faz-se necessário rever continuamente nossa linguagem de evangelizadores. Da Homilia à Leitura Orante da Palavra, das Comunidades menores aos Grupos de reflexão dos diversos movimentos, todos são chamados a rever sua forma de comunicar a Palavra do Evangelho. Deus não é complicado, mas vem ao nosso encontro, tanto que o Verbo se fez carne! É bom aprender de novo com as parábolas do Evangelho e aceitar o desafio de chegar, com palavras atuais, mas verdadeiras, ao coração de todos, especialmente os jovens. Recentemente fiz um convite a um grupo de universitários e o estendo a todos: a se tornarem parábolas vivas para o mundo em que vivemos.
Evangelizar é ainda um exercício de criatividade, numa Igreja que é muito rica de manifestações da fé. Não desejamos passar um "rolo compressor", escolhendo apenas uma forma de trabalho, mas estar abertos aos caminhos suscitados pelo Espírito Santo. Ser criativos é também valorizar o que os outros sabem e podem fazer, sem ciúme nem inveja. Que todos os grupos e métodos de apostolado aqui existentes olhem todo o bem que se faz e todos os métodos de trabalho como propriedade da família dos filhos de Deus, sem exclusivismos nem julgamentos. Da parte do Pastor da Igreja, saibam que haverá a plena abertura para o discernimento e o apoio a quem quer anunciar o Evangelho, inclusive abrindo fronteiras até agora inexploradas.
Enfim, evangelizar é justamente olhar com abertura para o horizonte missionário que se abre, pois muitas pessoas ainda se encontram ou se sentem afastadas da Igreja. Trata-se de uma verdadeira conversão pastoral, como pediu o Documento de Aparecida, uma “firme decisão missionária que deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais de dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja. Nenhuma comunidade deve se isentar de entrar decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” (DA 365).
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará
Paróquias, sejam laboratórios da perfeição da vida cristã!
“A Igreja tem consciência viva de que a palavra do Salvador, 'Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus', se aplica a ela com toda a verdade. Assim, ela acrescenta de bom grado com São Paulo: 'Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho' [...]. Nós queremos confirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja; tarefa e missão, que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, que é o memorial da Sua morte e gloriosa ressurreição” (EN 14).
Anunciar Jesus Cristo começa com o testemunho de vida. Nossas Paróquias, com suas Comunidades, Pastorais, Movimentos e Serviços, são chamadas a resplandecer pela alegria da acolhida. Conheço uma família que retornou à prática da vida cristã apenas porque encontrou o Pároco cumprimentando os fiéis à porta da Paróquia. A resposta que esta esperava chegou antes do sermão!
Nossas Paróquias são chamadas a serem verdadeiros laboratórios da perfeição da vida cristã, o que se alcança na abertura à graça de Deus expressa numa intensa vida sacramental. A prática do sacramento da penitência será um dos “treinamentos intensivos” nesta estrada de santidade. A Eucaristia, bem preparada e celebrada, será o ponto alto de nossa vida, pois para ela convergem nossos esforços para viver como cristãos e de lá, fonte inesgotável, brotam todas as graças, pois perfeição cristã é antes dom do que conquista.
Evangelizar é falar de Deus! Faz-se necessário rever continuamente nossa linguagem de evangelizadores. Da Homilia à Leitura Orante da Palavra, das Comunidades menores aos Grupos de reflexão dos diversos movimentos, todos são chamados a rever sua forma de comunicar a Palavra do Evangelho. Deus não é complicado, mas vem ao nosso encontro, tanto que o Verbo se fez carne! É bom aprender de novo com as parábolas do Evangelho e aceitar o desafio de chegar, com palavras atuais, mas verdadeiras, ao coração de todos, especialmente os jovens. Recentemente fiz um convite a um grupo de universitários e o estendo a todos: a se tornarem parábolas vivas para o mundo em que vivemos.
Evangelizar é ainda um exercício de criatividade, numa Igreja que é muito rica de manifestações da fé. Não desejamos passar um "rolo compressor", escolhendo apenas uma forma de trabalho, mas estar abertos aos caminhos suscitados pelo Espírito Santo. Ser criativos é também valorizar o que os outros sabem e podem fazer, sem ciúme nem inveja. Que todos os grupos e métodos de apostolado aqui existentes olhem todo o bem que se faz e todos os métodos de trabalho como propriedade da família dos filhos de Deus, sem exclusivismos nem julgamentos. Da parte do Pastor da Igreja, saibam que haverá a plena abertura para o discernimento e o apoio a quem quer anunciar o Evangelho, inclusive abrindo fronteiras até agora inexploradas.
Enfim, evangelizar é justamente olhar com abertura para o horizonte missionário que se abre, pois muitas pessoas ainda se encontram ou se sentem afastadas da Igreja. Trata-se de uma verdadeira conversão pastoral, como pediu o Documento de Aparecida, uma “firme decisão missionária que deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais de dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja. Nenhuma comunidade deve se isentar de entrar decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” (DA 365).
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará
terça-feira, 21 de setembro de 2010
A Missa explicada por padre Pio
Do sinal da cruz inicial até o ofertório, é preciso encontrar Jesus.
Padre Pio era o modelo de cada padre... Não se podia assistir "à sua Missa", sem que nos tornássemos, quase sem perceber, "participantes" desse drama que se vivia a cada manhã sobre o altar. Crucificado com o Crucificado, o Padre revivia a Paixão de Jesus com grande dor, da qual fui testemunha privilegiada, pois lhe ajudava, na Missa.
Ele nos ensinava que nossa Salvação só se poderia obter se, em primeiro lugar, a cruz fosse plantada na nossa vida. Dizia: "Creio que a Santíssima Eucaristia é o grande meio para aspirar à Santa Perfeição, mas é preciso recebê-La com o desejo e o engajamento de arrancar, do próprio coração, tudo o que desagrada Àquele que queremos ter em nós".(27 de julho 1917).
Pouco depois da minha ordenação sacerdotal, explicou-me ele que, durante a celebração da Eucaristia, era preciso colocar em paralelo a cronologia da Missa e a da Paixão. Trata-se, antes de tudo, de compreender e de realizar que o Padre no altar É Jesus Cristo. Desde então, Jesus, em seu Padre, revive indefinidamente a mesma Paixão.
Do sinal da cruz inicial até o Ofertório, é preciso ir encontrar Jesus no Getsemani, é preciso seguir Jesus na Sua agonia, sofrendo diante deste "mar de lama" do pecado. É preciso unir-se a Jesus em sua dor de ver que a Palavra do Pai, que Ele veio nos trazer, não é recebida pelos homens, nem bem nem mal. E, a partir desta visão, é preciso escutar as leituras da Missa como sendo dirigidas a nós, pessoalmente .
O Ofertório: É a prisão, chegou a hora...
O Prefácio: É o canto de louvor e de agradecimento que Jesus dirige ao Pai, e que Lhe permitiu, enfim, chegar a esta "Hora".
Desde o início da oração Eucarística até a Consagração : Nós nos unimos (rapidamente!...) a Jesus em Seu aprisionamento, em Sua atroz flagelação, na Sua coroação de espinhos e Seu caminhar com a cruz nas costas, pelas ruelas de Jerusalém e, no "Memento", olhando todos os presentes e aqueles pelos quais rezamos especialmente.
A Consagração nos dá o Corpo entregue agora, o Sangue derramado agora. Misticamente, é a própria crucifixão do Senhor. E é por isso que Padre Pio sofria atrozmente neste momento da Missa.
Nós nos uníamos em seguida a Jesus na cruz, oferecendo ao Pai, desde esse instante, o Sacrifício Redentor. Este é o sentido da oração litúrgica que segue imediatamente à consagração.
"Por Cristo com Cristo e em Cristo" corresponde ao grito de Jesus: "Pai, nas Tuas Mãos entrego o Meu Espírito!" Desde então, o sacrifício é consumado pelo Cristo e aceito pelo Pai. Daqui por diante, os homens não mais estão separados de Deus e se encontram de novo unidos. É a razão pela qual, nesse instante, recita-se a oração de todos os filhos: "Pai Nosso...".
A fração da hóstia indica a Morte de Jesus...
A Intinção, instante em que o Padre, tendo partido a hóstia (símbolo da morte...), deixa cair uma parcela do Corpo de Cristo no cálice do Precioso Sangue, marca o momento da Ressurreição, pois o Corpo e o Sangue estão de novo reunidos e é ao Cristo Vivo que vamos comungar.
A Bênção do Padre marca os fiéis com a cruz, ao mesmo tempo como um extraordinário distintivo e como um escudo protetor contra os assaltos do Maligno...
Depois de ter escutado uma tal explicação dos lábios do próprio Padre e sabendo bem que ele vivia dolorosamente tudo aquilo, compreende-se que me tenha pedido segui-lo neste caminho... o que eu fazia cada dia... E com que alegria!
Pe. Jean Derobert
Palavras do padre Pio
Jesus me consolou. Em 18 de abril de 1912, depois de uma luta terrível contra o inferno, a consolação do Senhor me veio depois da Missa: "Ao final da missa, conversei com Jesus para a ação de graças. Oh quanto foi suave o colóquio mantido com o paraíso nessa manhã!... O coração de Jesus e o meu se fundiram. Não eram mais dois que batiam, mas um só. Meu coração tinha desaparecido como uma gota de água se dissolve no mar... - Padre Pio chorava de alegria.- Quando o paraíso invade um coração, esse coração aflito, exilado, fraco e mortal não pode suporta-lo sem chorar...".
Ao Pe Agostinho, 18/04/1912, em "Padre Pio, Transparent de Dieu", J.Derobert.
Confidências a seus filhos espirituais
"Minha missa é uma mistura sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo", disse ele chorando.
"Na Paixão de Jesus, encontrarão também a minha".
"Não desejo o sofrimento por ele mesmo, não; mas pelos frutos que me dá. Ele dá glória a Deus e salva meus irmãos, que mais posso desejar?".
"A que momento do Divino Sacrifício mais sofreis?". - Da consagração à comunhão." "Durante o ofertório?. - É neste momento que a alma é separada das coisas profanas."
"A consagração?". - É verdadeiramente aí que advém uma nova admirável destruição e criação."
"A Comunhão? Na comunhão, sofreis a morte? - Misticamente, sim. - Por veemência de amor ou de dor? - Por uma e outra: mas mais por amor."
"Sofreis toda e sempre a Paixão de Jesus?". - Sim, por Sua bondade e Sua condescendência, tanto quanto é possível a uma criatura humana. - E como podeis trabalhar com tanta dor? - Encontro o meu repouso sobre a cruz."
"Como nós devemos ouvir a Santa Missa?". - Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz "". Pe. Tarcísio, Congresso de Udine, 1972.
Do sinal da cruz inicial até o ofertório, é preciso encontrar Jesus.
Padre Pio era o modelo de cada padre... Não se podia assistir "à sua Missa", sem que nos tornássemos, quase sem perceber, "participantes" desse drama que se vivia a cada manhã sobre o altar. Crucificado com o Crucificado, o Padre revivia a Paixão de Jesus com grande dor, da qual fui testemunha privilegiada, pois lhe ajudava, na Missa.
Ele nos ensinava que nossa Salvação só se poderia obter se, em primeiro lugar, a cruz fosse plantada na nossa vida. Dizia: "Creio que a Santíssima Eucaristia é o grande meio para aspirar à Santa Perfeição, mas é preciso recebê-La com o desejo e o engajamento de arrancar, do próprio coração, tudo o que desagrada Àquele que queremos ter em nós".(27 de julho 1917).
Pouco depois da minha ordenação sacerdotal, explicou-me ele que, durante a celebração da Eucaristia, era preciso colocar em paralelo a cronologia da Missa e a da Paixão. Trata-se, antes de tudo, de compreender e de realizar que o Padre no altar É Jesus Cristo. Desde então, Jesus, em seu Padre, revive indefinidamente a mesma Paixão.
Do sinal da cruz inicial até o Ofertório, é preciso ir encontrar Jesus no Getsemani, é preciso seguir Jesus na Sua agonia, sofrendo diante deste "mar de lama" do pecado. É preciso unir-se a Jesus em sua dor de ver que a Palavra do Pai, que Ele veio nos trazer, não é recebida pelos homens, nem bem nem mal. E, a partir desta visão, é preciso escutar as leituras da Missa como sendo dirigidas a nós, pessoalmente .
O Ofertório: É a prisão, chegou a hora...
O Prefácio: É o canto de louvor e de agradecimento que Jesus dirige ao Pai, e que Lhe permitiu, enfim, chegar a esta "Hora".
Desde o início da oração Eucarística até a Consagração : Nós nos unimos (rapidamente!...) a Jesus em Seu aprisionamento, em Sua atroz flagelação, na Sua coroação de espinhos e Seu caminhar com a cruz nas costas, pelas ruelas de Jerusalém e, no "Memento", olhando todos os presentes e aqueles pelos quais rezamos especialmente.
A Consagração nos dá o Corpo entregue agora, o Sangue derramado agora. Misticamente, é a própria crucifixão do Senhor. E é por isso que Padre Pio sofria atrozmente neste momento da Missa.
Nós nos uníamos em seguida a Jesus na cruz, oferecendo ao Pai, desde esse instante, o Sacrifício Redentor. Este é o sentido da oração litúrgica que segue imediatamente à consagração.
"Por Cristo com Cristo e em Cristo" corresponde ao grito de Jesus: "Pai, nas Tuas Mãos entrego o Meu Espírito!" Desde então, o sacrifício é consumado pelo Cristo e aceito pelo Pai. Daqui por diante, os homens não mais estão separados de Deus e se encontram de novo unidos. É a razão pela qual, nesse instante, recita-se a oração de todos os filhos: "Pai Nosso...".
A fração da hóstia indica a Morte de Jesus...
A Intinção, instante em que o Padre, tendo partido a hóstia (símbolo da morte...), deixa cair uma parcela do Corpo de Cristo no cálice do Precioso Sangue, marca o momento da Ressurreição, pois o Corpo e o Sangue estão de novo reunidos e é ao Cristo Vivo que vamos comungar.
A Bênção do Padre marca os fiéis com a cruz, ao mesmo tempo como um extraordinário distintivo e como um escudo protetor contra os assaltos do Maligno...
Depois de ter escutado uma tal explicação dos lábios do próprio Padre e sabendo bem que ele vivia dolorosamente tudo aquilo, compreende-se que me tenha pedido segui-lo neste caminho... o que eu fazia cada dia... E com que alegria!
Pe. Jean Derobert
Palavras do padre Pio
Jesus me consolou. Em 18 de abril de 1912, depois de uma luta terrível contra o inferno, a consolação do Senhor me veio depois da Missa: "Ao final da missa, conversei com Jesus para a ação de graças. Oh quanto foi suave o colóquio mantido com o paraíso nessa manhã!... O coração de Jesus e o meu se fundiram. Não eram mais dois que batiam, mas um só. Meu coração tinha desaparecido como uma gota de água se dissolve no mar... - Padre Pio chorava de alegria.- Quando o paraíso invade um coração, esse coração aflito, exilado, fraco e mortal não pode suporta-lo sem chorar...".
Ao Pe Agostinho, 18/04/1912, em "Padre Pio, Transparent de Dieu", J.Derobert.
Confidências a seus filhos espirituais
"Minha missa é uma mistura sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo", disse ele chorando.
"Na Paixão de Jesus, encontrarão também a minha".
"Não desejo o sofrimento por ele mesmo, não; mas pelos frutos que me dá. Ele dá glória a Deus e salva meus irmãos, que mais posso desejar?".
"A que momento do Divino Sacrifício mais sofreis?". - Da consagração à comunhão." "Durante o ofertório?. - É neste momento que a alma é separada das coisas profanas."
"A consagração?". - É verdadeiramente aí que advém uma nova admirável destruição e criação."
"A Comunhão? Na comunhão, sofreis a morte? - Misticamente, sim. - Por veemência de amor ou de dor? - Por uma e outra: mas mais por amor."
"Sofreis toda e sempre a Paixão de Jesus?". - Sim, por Sua bondade e Sua condescendência, tanto quanto é possível a uma criatura humana. - E como podeis trabalhar com tanta dor? - Encontro o meu repouso sobre a cruz."
"Como nós devemos ouvir a Santa Missa?". - Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz "". Pe. Tarcísio, Congresso de Udine, 1972.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Exaltação da Santa Cruz.
Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.
Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto a fim de que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo, com razão, tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.
Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.
É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande, sim, porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto – pelos milagres e sofrimentos de Cristo – tanto mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.
É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória de Cristo, escuta-O a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu, Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5). E repete: Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.
Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.
(Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo).
Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.
Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto a fim de que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo, com razão, tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.
Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.
É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande, sim, porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto – pelos milagres e sofrimentos de Cristo – tanto mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.
É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória de Cristo, escuta-O a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu, Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5). E repete: Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.
Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.
(Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo).
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Um amigo chamado Jesus
Um padre passeava pela sua igreja, ao meio-dia, quando decidiu fazer uma pausa e observar do altar as pessoas que entravam para orar.
Em seguida, a porta se abriu e um homem adentrou pelo corredor central.
O padre franziu a testa, enquanto o olhava e notava que não se barbeava há algum tempo.
Sua camisa estava esfarrapada e o casaco que usava estava bastante surrado.
O homem se ajoelhou, inclinou sua cabeça, depois se levantou e foi embora.
Nos dias seguintes, sempre ao meio-dia, a mesma rotina se repetia.
Cada vez que se ajoelhava por alguns instantes, deixava de lado a marmita com o seu almoço.
A curiosidade do padre crescia, e também um receio de que fosse um assaltante.
Decidiu aproximar-se dele e lhe perguntar:
- O que faz aqui?
O velho homem disse que trabalhava numa fábrica, em um outro bairro da cidade. O almoço havia sido há meia hora atrás e ele reservava o tempo restante para orar e, assim, encontrar força e poder para enfrentar as labutas da vida.
- Eu fico apenas alguns momentos, entende, porque a fábrica fica muito longe daqui. Enquanto estou aqui, ajoelhado, conversando com o Senhor, é como se Lhe dissesse: - "Eu vim novamente aqui, Senhor, só pra lhe dizer quão feliz eu tenho sido desde que nos tormanos amigos e o Senhor me livrou dos meus pecados.
Não sei bem como devo orar, mas eu penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje estou aqui, Jim, só checando.
O padre, sentindo-se um tolo, disse a Jim que estava tudo bem. Ele disse ao homem que ele era bem-vindo e poderia vir à igreja e orar, sempre que desejasse.
- É hora de ir - disse Jim, sorrindo. Agradeceu e dirigiu-se apressadamente para a porta.
O padre se ajoelhou diante do altar, como nunca havia feito antes.
Seu frio coração se derreteu, aquecido pelo amor, e ali teve um encontro com Jesus. Enquanto lágrimas escorriam por seu rosto, em seu coração, ele repetiu a oração do velho Jim:
- Eu vim novamente aqui, Senhor, pra lhe dizer quão feliz eu tenho sido, desde que nos tornamos amigos e o Senhor me livrou dos meus pecados. Não sei bem como devo orar, mas penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje aqui estou eu, só checando.
Um dia, quando passou o meio-dia, o padre notou que o velho Jim não havia vindo. Percebendo que sua ausência se estendeu pelos dias seguintes, começou a ficar preocupado.
Na fábrica, perguntou por ele, descobrindo que estava enfermo. A enfermaria do hospital estava cheia, mas arranjaram uma vaga para ele.
Durante a semana em que Jim esteve com eles, mudou a rotina da enfermaria. Seu sorriso e sua alegria eram contagiantes. Divertir e alegrar as pessoas era o seu prêmio. A chefe das enfermeiras, contudo, não pôde entender porque um homem tão gentil e simpático como Jim não recebia flores, telefonemas ou cartões de amigos ou parentes, nem mesmo a visita de alguém.
Ao encontrá-lo, o padre se colocou ao lado de sua cama, quando Jim ouviu o comentário da enfermeira:
- Nenhum amigo veio pra mostrar que se importa com ele. Ele não deve ter ninguém com quem contar. Parecendo surpreso, o velho Jim virou-se para o padre e disse com um largo sorriso:
- A enfermeira está enganada, ela não sabe, mas durante todos os dias em que estive aqui, ao meio-dia, Ele está aqui, um querido Amigo meu, que Se senta bem junto a mim, segura a minha mão, se inclina em minha direção e me diz: "Eu vim só pra lhe dizer, Jim, quão feliz eu sou desde que nos tornamos amigos e eu o livrei de seus pecados. Eu amo ouví-lo quando você ora e penso em você todos os dias. Assim, estou hoje aqui, Jesus, só checando.
Para que você possa sentir Deus segurando-lhe com a palma de Suas mãos e que os anjos lhe protejam!
Jesus disse, "Se vós tendes vergonha de mim, também me envergonharei de vós diante do meu Pai."
Jesus é sempre o melhor amigo!
Um padre passeava pela sua igreja, ao meio-dia, quando decidiu fazer uma pausa e observar do altar as pessoas que entravam para orar.
Em seguida, a porta se abriu e um homem adentrou pelo corredor central.
O padre franziu a testa, enquanto o olhava e notava que não se barbeava há algum tempo.
Sua camisa estava esfarrapada e o casaco que usava estava bastante surrado.
O homem se ajoelhou, inclinou sua cabeça, depois se levantou e foi embora.
Nos dias seguintes, sempre ao meio-dia, a mesma rotina se repetia.
Cada vez que se ajoelhava por alguns instantes, deixava de lado a marmita com o seu almoço.
A curiosidade do padre crescia, e também um receio de que fosse um assaltante.
Decidiu aproximar-se dele e lhe perguntar:
- O que faz aqui?
O velho homem disse que trabalhava numa fábrica, em um outro bairro da cidade. O almoço havia sido há meia hora atrás e ele reservava o tempo restante para orar e, assim, encontrar força e poder para enfrentar as labutas da vida.
- Eu fico apenas alguns momentos, entende, porque a fábrica fica muito longe daqui. Enquanto estou aqui, ajoelhado, conversando com o Senhor, é como se Lhe dissesse: - "Eu vim novamente aqui, Senhor, só pra lhe dizer quão feliz eu tenho sido desde que nos tormanos amigos e o Senhor me livrou dos meus pecados.
Não sei bem como devo orar, mas eu penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje estou aqui, Jim, só checando.
O padre, sentindo-se um tolo, disse a Jim que estava tudo bem. Ele disse ao homem que ele era bem-vindo e poderia vir à igreja e orar, sempre que desejasse.
- É hora de ir - disse Jim, sorrindo. Agradeceu e dirigiu-se apressadamente para a porta.
O padre se ajoelhou diante do altar, como nunca havia feito antes.
Seu frio coração se derreteu, aquecido pelo amor, e ali teve um encontro com Jesus. Enquanto lágrimas escorriam por seu rosto, em seu coração, ele repetiu a oração do velho Jim:
- Eu vim novamente aqui, Senhor, pra lhe dizer quão feliz eu tenho sido, desde que nos tornamos amigos e o Senhor me livrou dos meus pecados. Não sei bem como devo orar, mas penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje aqui estou eu, só checando.
Um dia, quando passou o meio-dia, o padre notou que o velho Jim não havia vindo. Percebendo que sua ausência se estendeu pelos dias seguintes, começou a ficar preocupado.
Na fábrica, perguntou por ele, descobrindo que estava enfermo. A enfermaria do hospital estava cheia, mas arranjaram uma vaga para ele.
Durante a semana em que Jim esteve com eles, mudou a rotina da enfermaria. Seu sorriso e sua alegria eram contagiantes. Divertir e alegrar as pessoas era o seu prêmio. A chefe das enfermeiras, contudo, não pôde entender porque um homem tão gentil e simpático como Jim não recebia flores, telefonemas ou cartões de amigos ou parentes, nem mesmo a visita de alguém.
Ao encontrá-lo, o padre se colocou ao lado de sua cama, quando Jim ouviu o comentário da enfermeira:
- Nenhum amigo veio pra mostrar que se importa com ele. Ele não deve ter ninguém com quem contar. Parecendo surpreso, o velho Jim virou-se para o padre e disse com um largo sorriso:
- A enfermeira está enganada, ela não sabe, mas durante todos os dias em que estive aqui, ao meio-dia, Ele está aqui, um querido Amigo meu, que Se senta bem junto a mim, segura a minha mão, se inclina em minha direção e me diz: "Eu vim só pra lhe dizer, Jim, quão feliz eu sou desde que nos tornamos amigos e eu o livrei de seus pecados. Eu amo ouví-lo quando você ora e penso em você todos os dias. Assim, estou hoje aqui, Jesus, só checando.
Para que você possa sentir Deus segurando-lhe com a palma de Suas mãos e que os anjos lhe protejam!
Jesus disse, "Se vós tendes vergonha de mim, também me envergonharei de vós diante do meu Pai."
Jesus é sempre o melhor amigo!
domingo, 5 de setembro de 2010
Quem escolhe Jesus não perde nada.
“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Mateus 14,26). O chamado de Deus é exigente, é radical.
''Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus'.' Seguiam para Jerusalém, onde Jesus iria ser crucificado. Mediante a isso Jesus avisa a multidão: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.” Quem caminha com Jesus passa pela cruz, pela paixão para chegar na ressurreição. Todo mundo quer ressuscitar, mas ninguém quer morrer.
Não dá para seguir Jesus e achar que Ele é um iluminado.
Precisamos amar Jesus acima de tudo. Não dá para ser cristão pela metade. Ou a gente sabe e professa que Jesus é verdadeiramente Deus, e que como Ele passaremos pela cruz, ou viveremos achando que Ele não é Deus.
“Se alguém vem a mim, mas não se odeia de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Trago a vocês um exemplo para entenderem o que significa o verbo odiar na tradução do grego. Hoje na hora do almoço estava na casa da Luzia Santiago e ela me ofereceu pudim ou salada de fruta escolhi a salada de fruta, mas se fosse falar na tradução do grego eu iria dizer, odeio pudim, e ela entenderia que preferia salada de fruta. Essa palavra odeia é substituída pela palavra prefiro.
É preciso amar Jesus mais que os pais, e os pais mais a Jesus que os filhos.
"Quando escolhemos Jesus, encontramos verdadeiramente as pessoas que amamos!"
Por causa do nosso pecado original tendemos a rivalidade, e quem tem irmão já fez essa pergunta: Quem mamãe e papai amam mais, eu ou os meus irmãos?
Jacó tinha 12 filhos e o mais amado era José, que recebeu do pai uma túnica. Os seus irmãos tinham muito ciúme dele, por isso queriam matá-lo.
Quando vemos uma preferência tocamos no pecado original que dá vontade de matar o predileto, porque nós queríamos ser o predileto.
Porque os irmãos de José queriam matá-lo? Porque não amavam o pai, e também não queriam que José fosse amado por ele. Há um mecanismo destruidor do nosso coração que é de querer ser o centro no coração da pessoa. Porém neste Evangelho Jesus diz que o centro do nosso coração é Deus e precisa ser Deus. Se não for pode levar a morte.
Jesus nos ensina a lutar contra o pecado da idolatria. Assim como aqueles irmãos de José que queriam ser deuses, queriam está no centro do coração do pai. Quantos crimes já ouvimos falar de esposo que mata esposa por ciúme, isso é porque quem ocupou o centro do coração foi um ao outro e não Deus.
Quando a família toma o lugar de Deus, aí acontece a destruição, mas se você quer que sua família seja sadia, ame Jesus em primeiro lugar. Se você expulsar Jesus da sua casa, os seus vão se matar, se não matar fisicamente, vão matando interiormente.
Se você coloca seus pais no lugar de Deus, você passará a cobrar de seus pais a felicidade plena, que só o Senhor pode oferecer.
Se você deixa Jesus no centro do relacionamento da sua casa, você perceberá que seu marido não é fonte de felicidade, mas um companheiro que junto com você carregará a cruz para chegar a vida eterna.
Que coisa terrível é o pai que vive poupando o seu filho. Não faça isso! Mas o encoraje a levar cruz, a amar Jesus mais que a você.
"A família precisa ter Jesus como centro!"
Não me arrependo nem um segundo de ser padre. Mas, percorri uma caminho duro e de renúncia. Quando eu era seminarista, estava para me ordenar e meus pais não puderam ir a minha ordenação, pois passavam por necessidades, tentei mandar um pouco de dinheiro, pois queria que eles participassem deste momento, mas não deu.
Se eu soubesse que ao pedi para ser ordenado em Roma pelo Papa João Paulo II, não iria ter minha família presente em minha ordenação, eu escolheria qualquer bispo aqui no Brasil.
Na minha ordenação era um misto de felicidade e dor. A alegria de ser padre, e a tristeza de não ter os meus pais e minhas irmãs ali. Chorava com o misto de sentimentos.
Desde o início de meu sacerdócio, fui colocado para fazer uma opção entre Jesus, minha ordenação e a minha família, escolhi Jesus, porque é Ele quem me faz amar de forma autêntica a minha família.
Dezoito anos depois, como foi bom escolher Jesus, vejo como foi bom ter Jesus em primeiro lugar, me fez amar ainda mais a minha família.
A minha ida para o seminário foi dramática, meus pais me queriam por perto, e hoje louvamos a Deus pela minha vocação. “Pois quem escolhe Jesus não perde nada, mas ganha tudo”, assim afirma Bento XVI.
Quando escolhemos Jesus encontramos verdadeiramente as pessoas que amamos.
A família precisa ter Jesus como centro, quando amamos Jesus paramos de cobrar um ao outro e passamos a ser “Cireneus”, onde ajudamos a nossa família e eles nos ajudam a carregar a cruz.
Padre Paulo Ricardo
Reitor do seminário de Cuiabá (MT)
http://www.padrepauloricardo.org/
sábado, 4 de setembro de 2010
Combatividade profética e os novos desafios
Antes de mesmo entrar, diretamente, no tocante da combatividade profética e o profetismo na atualidade, como voz profética e ação poderosa de Deus pelo anúncio inflamado, precisamos compreender o que foi o caráter profético na antiga aliança, para sabermos, com mais exatidão, o que forma o caráter profético e o que somos hoje. Primeiro, o movimento profético, em si. Depois, as pessoas que compuseram esse movimento profético. Em contrário, corríamos o risco de discutir um assunto que não ficará bem claro, tamanha a diversidade de conotações que o termo recebe em nossos dias. E não chegaríamos a um ponto proveitoso em nossa avaliação.
Para alguns em nossos dias, o profeta é uma pessoa dotada de uma ação sobrenatural que lhe permite adivinhar coisas - Profecia, que nesta perspectiva, é adivinhação. É assim o conceito secular, no entendimento de pessoas sem o conhecimento do sentido bíblico da expressão. Da mesma forma, era esse o conceito de profeta entre os povos pagãos o chamado lecanomancia ou leitura do futuro pela figura do azeite derramado numa taça sagrada, ou ainda a hepatoscopia que era a leitura do futuro pelos riscos do fígado de animais sacrificados aos ídolos, o uso de árvores sagradas, como os cananeus faziam com os carvalhos (Gn 12, 6 - Moreh, em hebraico, significa “mestre”), sonhos após alucinógenos, a interpretação do vôo dos pássaros, tudo isto fazia parte do ofício profético pagão.
1. O Profetismo na Antiga Aliança
Outro termo no hebraico para “profeta” é o ‘ish Elohim’, homem de Deus que classifica como um reconhecimento que os outros faziam do profeta, o qual é mostrado como uma pessoa de confiança de Deus e as pessoas vêem isso em seu testemunho de vida. Não é ele quem se proclama assim. Na realidade, o profeta não alardeava sua condição profética. As pessoas viam isso por ter uma autoridade que o tornava alguém credenciado.
Duas palavras hebraicas expressam o profeta como vidente, o que requereria uma maior observância: ‘ro’eh’ e ‘hozeh’, ambas com o sentido de vidente. ‘Ro’eh’, o termo mais comum, deriva do verbo “ver” como em Am 7, 12 no qual Amasias chama a Amós de ‘ro’eh’: “Vai-te, ó vidente (ro’eh), foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão, e ali profetiza”. Nem sempre o termo está associado com vidência. É muito mais uma interpretação dos eventos ou a compreensão de algo mais profundo numa visão comum relacionada ao discernimento. Pois o profeta é aquele que vê o que os outros não vêm. Nós, como profetas, somos chamados, em meio a uma cultura banalizada, que acha tudo normal, a denunciar a injustiça e as condutas imorais em um mundo marcado pela cultura de morte que defende a união conjugal de homossexuais, na descriminalização de drogas, na liberação total de costumes, aborto, tudo isso mostrado com tolerância e progresso, e vê as conseqüências, vê o que os outros não conseguem ou não querem ver e quase sempre, é uma voz contra a multidão, um solitário, um rejeitado. Na LXX são traduzidos os três termos, ‘navi’, ‘ro’eh’, ‘hozeh’ por ‘prophetês’, vendo-os em uma única direção no sentido é “falar por alguém”. Diria que expressa bem o caráter profético na sua essência ou raiz. Não muito comumente, aparecem também três termos hebraicos: ‘sophi’im’, significando atalaia (Jr 6,17; Ez 3,17; 33,2.6.7); ‘shomer’, significando atalaia, sentinela, guarda (Is 21, 11-12; 62, 2) e ‘raah’, significando pastor (Jr 23, 4; Ez 34, 2-10; Zc 11, 5.16).
Em suma, o profeta é um homem de Deus, por Ele indicado, é um homem que vê além dos demais, que tem inquietude interior, que entende, que vem como arauto. É também uma sentinela no serviço e um pastor, que cuida do rebanho. E sem dúvida sabe como as coisas devem ser e sabe das consequências de não serem como devem. Tem uma relação de guarda com o povo de Deus, adverte e ensina. Nem sempre é amado pelos homens, mas mesmo assim segue com sua missão.
2. A função do profeta hoje
Para que a proclamação da Palavra seja eficaz, é necessário que ela se faça com a força impactante da profecia, com audácia (parhessia), capaz de ressoar nas raízes da pessoa lá onde Deus plantou o desejo de encontrá-lo. Ao ouvir o querigma a pessoa deveria poder experimentar a Morte e Ressurreição do Senhor como mistério que a envolve e lhe afeta profundamente a própria existência. Quem o proclama, se não o faz de dentro desta mesma experiência, não estará falando de uma realidade atual que lhe toca as raízes e, por isso, tornasse incapaz de fazer uma proclamação que leve à conversão (Doc 80, pág. 26). Sem dúvida a voz profética da igreja é uma indicação ao exercício do nosso ministério, que de fato, por meio de um anúncio inflamado, ousado, mudará as realidades atuais com combatividade e mais do que nunca a pregação ousada, parte daquilo que cremos e cremos naquilo que experimentamos, por formar assim o nosso caráter, a identidade ou ainda o selo do pregador, pois anunciar o Evangelho não é glória para nós; é uma obrigação que nos é imposta. Ai de nós, se eu não anunciarmos o Evangelho! (Cf. I Cor 9, 16).
O profeta tem como missão hoje de encorajar o povo de Deus a confiar exclusivamente na graça, e no Seu poder, como também avisar ao povo que sua segurança depende da fidelidade à aliança pelo sangue de Cristo, o dever de encorajar Israel (a igreja) é constitutivo da nossa pregação que tornará presente na vida das pessoas as coisas eternas. Somos chamados a sermos criadores da esperança, anunciadores de que o povo de Deus deve ser preparado para Ele na glória, mesmo que no momento presente seja ela incutida pelo mau testemunho de alguns dos seus membros, porém não seja acuada pela pressão de um mundo ímpio. Isto nos põe diante de uma verdade que não se pode ignorar devemos encorajar o povo a permanecer fiel no compromisso com Deus, a confiar Nele e não arrefecer de sua missão neste mundo.
Assim como Novo Testamento, encontramos profetas na Igreja e a profecia é mostrada sendo um dom ou carisma como o exemplo mostrando na missão de Paulo (At 21, 11-12) e vemo-lo profetizando uma grave fome no Império Romano (At 11, 27-30). Mas o fato está aqui: a Igreja está edificada sobre o fundamento dos “apóstolos e profetas” (Ef 2, 20), como a comunidade do passado, Israel, estava edificada sobre “sacerdotes e profetas”. Do sacerdotalismo judaico, que é o levitismo do templo, cede lugar à Palavra profética. Constituir o profetismo nos tempos de hoje é reviver a angústia de Jeremias revelado em um homem que vê o que está por acontecer ao seu povo e que sofre com isso, que é tomado de uma inquietude interior. Ele não se alegra com o que vê, mas chora por causa dela: “Ah! Minhas entranhas! Minhas entranhas! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra” (Jr 4, 19).
“Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é uma ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Os cristãos são portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras” (DA 29). O profeta é um embaixador de Cristo inserido no povo de Deus com a missão de conduzir-los na Palavra de Deus e na doutrina da Igreja para os preceitos da aliança, e proclama, em nome de Deus, a maneira correta de proceder. Ele fala não apenas em nível individual, mas também em nível coletivo em uma instrução voltada à conversão. Pois denuncia o pecado individual e estrutural e aponta o caminho correto: o arrependimento.
“Porque não ousaria mencionar ação alguma que Cristo não houvesse realizado por meu ministério, para levar os pagãos a aceitar o Evangelho, pela palavra e pela ação, pelo poder dos milagres e prodígios, pela virtude do Espírito. Vê-lo-ão aqueles aos quais ainda não tinha sido anunciado; conhecê-lo-ão aqueles que dele ainda não tinham ouvido falar” (Rm 15, 18-19a.21b).
Por James Apolinário
Coordenador estadual da RCC do Ceará
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
O pescador pela verdade.
Uma das indústrias que mais estão crescendo é da ilusão; são pessoas que estudam e trabalham para iludir você e eu. Há muita gente que ganha milhões para nos apresentar a ilusão nos meios de comunicação.
A Palavra de Deus nos diz: “Irmãos, ninguém se iluda”, a pior ilusão que uma pessoa pode viver é quando ela ilude a si mesma.
Há também a ilusão de pensarmos sempre ser os certos. Só abrimos espaço para aprender quando reconhecemos que não sabemos muito. “Se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus.”
Não se iluda pensando que você tem todo o poder. Cuidado para não escolher fazer de você mesmo um deus!
O Evangelho relata a história de Pedro que estava à margem. “Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. 5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. 6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.”
Jesus teve toda uma pedagogia para tirar Pedro daquela ilusão; a verdade precisa ser feita com caridade.
'Jesus teve toda uma pedagogia para tirar Pedro daquela ilusão; a verdade precisa ser feita com caridade`
A maior ilusão que alguém pode adquirir é acreditar que a nossa vida não tem mais sentido. Quando perdemos os nossos sonhos, nós nos tornamos um peso para nós mesmos e para os outros. Para sermos chamados pelo Senhor precisamos estar no nosso lugar.
Um iludido nunca vai dizer “sim” a Deus. Tenha coragem de se deparar com a sua verdade. Será que você é tão insensato que não consegue deparar com sua verdade e dar uma resposta ao Senhor!?
Pare de se iludir! O iludido é um covarde que não consegue deparar com a própria verdade. O que mudou a vida de Pedro, que estava cansado, foi ele ter escutado a verdade.
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Padre Fabrício
Sacerdote missionário da Comunidade Canção Nova
Uma das indústrias que mais estão crescendo é da ilusão; são pessoas que estudam e trabalham para iludir você e eu. Há muita gente que ganha milhões para nos apresentar a ilusão nos meios de comunicação.
A Palavra de Deus nos diz: “Irmãos, ninguém se iluda”, a pior ilusão que uma pessoa pode viver é quando ela ilude a si mesma.
Há também a ilusão de pensarmos sempre ser os certos. Só abrimos espaço para aprender quando reconhecemos que não sabemos muito. “Se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus.”
Não se iluda pensando que você tem todo o poder. Cuidado para não escolher fazer de você mesmo um deus!
O Evangelho relata a história de Pedro que estava à margem. “Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. 5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. 6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.”
Jesus teve toda uma pedagogia para tirar Pedro daquela ilusão; a verdade precisa ser feita com caridade.
'Jesus teve toda uma pedagogia para tirar Pedro daquela ilusão; a verdade precisa ser feita com caridade`
A maior ilusão que alguém pode adquirir é acreditar que a nossa vida não tem mais sentido. Quando perdemos os nossos sonhos, nós nos tornamos um peso para nós mesmos e para os outros. Para sermos chamados pelo Senhor precisamos estar no nosso lugar.
Um iludido nunca vai dizer “sim” a Deus. Tenha coragem de se deparar com a sua verdade. Será que você é tão insensato que não consegue deparar com sua verdade e dar uma resposta ao Senhor!?
Pare de se iludir! O iludido é um covarde que não consegue deparar com a própria verdade. O que mudou a vida de Pedro, que estava cansado, foi ele ter escutado a verdade.
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Padre Fabrício
Sacerdote missionário da Comunidade Canção Nova
O Senhor conhece nossa fragilidade
Esta é a grande verdade do Cristianismo: os pecados de todos nós já foram assumidos por Jesus e, mais ainda, foram carregados por Ele na cruz e pregados em Suas feridas. Hoje somos perdoados, livres e curados graças às Suas chagas, ao Seu Sangue e à Sua cruz.
Foi exatamente isso que Nosso Senhor Jesus Cristo fez. Não significa que o Senhor goste que erremos, mas sabe que o pecado original nos feriu e nos machucou, fazendo-nos errar tantas vezes. Não gostaríamos de ter errado, mas certamente aconteceria. Por isso, bondosamente, Ele não precisava sofrer o que sofreu, como dizem todos os santos. Bastaria um desejo, um pedido de Jesus – "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" – para que fôssemos salvos. Esta é uma verdade teológica.
Jesus, no entanto, quis dar uma grandeza maior ao acontecimento, para que também tivéssemos a visão palpável de que Ele pagou um alto preço pelos nossos pecados. Se Cristo tivesse apenas levantado os braços para o céu e pedido ao Pai “Pai, perdoa-lhes”, talvez não tivéssemos a real dimensão do amor d'Ele por nós.
Quando somos acusados pelo inimigo de Deus, este episódio se compara ao exemplo do guarda que quer nos aplicar uma multa, discute conosco e nos obriga a pagá-la de qualquer forma. O maligno, porém, não tem nenhum direito sobre nós. Creia nisso! Ele não tem autoridade de jogar na nossa cara os erros que cometemos. O remorso, que às vezes sentimos, não vem de Deus nem do Espírito Santo,, mas sim, do inimigo em seu papel de acusador. Jesus já pagou o preço por todos os nossos pecados. O nosso adversário não pode exigir nada de nós.
O Senhor não nos quer mal-acostumados, mas esta é uma verdade teológica e bíblica. Todos os pecados estão perdoados, os de ontem, os pequenos e grandes, os de amanhã e os da semana que vem. Jesus já pagou a nossa dívida. Nós, porém, parecemos ter medo disso.
O Senhor conhece nossa fragilidade. Quando menos se espera, erramos. Por amor, não queremos pecar, uma vez que Jesus foi tão bom conosco, entretanto, quando vacilamos e cometemos uma infração, não temos de receber acusações do inimigo, nem da nossa própria consciência. Precisamos assumir o perdão de Cristo.
Mas como se faz isso? Reconhecendo, verdadeiramente, que pecamos. Não agindo como avestruz que esconde a cabeça no chão. Se necessário, recebendo o Sacramento da Penitência, que é maravilhoso, sem temer as acusações do maligno. Temos medo de olhar para Deus e de tirar os olhos dos nossos pecados.
Trecho do livro "Curados para amar" de monsenhor Jonas Abib
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