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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

AMOR E PAIXÃO


Amar é realmente fundamental. O primeiro mandamento da lei de Deus manda amar acima de todas as coisas. Jesus resumiu toda a lei e os profetas no amor a Deus e aos irmãos. João, o apóstolo do Coração de Jesus entendeu muito bem todas essas lições, tanto que em sua carta resumiu a mensagem da Bíblia em três palavras geniais: “Deus é amor”. E disse mais: “quem ama permanece em Deus… Quem diz que ama Deus e não ama o irmão é mentiroso”.

Hoje em dia a palavra “amor” parece um tanto desgastada por tantos poemas e canções. Facilmente se diz “eu te amo”. Mas o significado real é simplesmente “eu gosto de você”; ou seja, “sinto paixão por ti”. Mas amor é muito mais do que gosto ou paixão. Amar é querer o bem do outro e paixão é querer o outro para o seu próprio bem. Amor é dar de si antes de pensar em si. Paixão é sentir que o outro completa o que me falta. Amor é atitude. Paixão é sentimento. Amor é rocha firme que serve de fundamento para qualquer construção. Paixão é areia que passa. Amor é sol que permanece sempre lá, apensar das nuvens e das tempestades. Paixão é estação, é inverno é verão. Pode mudar e surpreender. Há momentos em que a paixão queima como o calor do verão. Outras vezes ela simplesmente desaparece como as folhas no outono. Quem não conheceu o inverno da paixão? Muitos casamentos construídos sobre o “eu gosto de ti” não resistem à passagem das estações.

Quem ama também perde a paixão. Mesmo um grande amor não é o suficiente para preservar os sentimentos sempre no calor do primeiro beijo, da primeira flor, daquela carta de amor. Sempre chega o dia em que é preciso fechar as cortinas, cerrar as janelas porque lá fora faz muito frio. Os casais entendem perfeitamente o que estou falando. Algum tempo depois do casamento parece até que o amor acabou. Engano. Amor que é amor nunca acaba. É eterno, porque Deus é amor e o Amor é Deus. Quem ama traz no peito o Coração de Deus. Amamos na terra com o amor do céu. Mas mesmo assim, infelizmente, a paixão termina… ou se esconde no labirinto do coração. Em alguns momentos a única forma de amar é dizer boa noite e dormir. Por isso, quem ama suporta e perdoa. O amor é paciente no inverno da paixão. Quem ama com inteligência sabe o que fazer nos meses do frio. É tempo de podar as roseiras, pois a força neste tempo vai para a raiz. Quando a paixão termina é bom fechar para balanço. Até os relacionamentos mais santos precisam de férias de vez enquanto.

Quem não entendeu essa maravilhosa dinâmica do amor e da paixão corre o risco de pensar que o amor acabou e aplicar a lógica moderna do consumismo ao relacionamento familiar. É como aquele velho liquidificador recebido dos pais como presente de casamento. Marca tradicional. Pesado. Antigo. Mas funciona. Claro que tem alguns pequenos defeitos. A tinta já saiu em alguns lugares. Há uma pequena trinca aqui. O barulho é enorme. Mas quantos sucos e bolos passaram por aquelas lâminas. Vem o dia em que a promoção da semana oferece um liquidificador lindo por um preço tentador. Como é possível custar tão barato? Você nem olha onde foi feito; se tem garantia… É tão pouco dinheiro. Provavelmente o pacote de embrulho será mais caro que o próprio liquidificar. Você chega em casa e é só alegria. Menos para o velho liquidificador que entristecido será escondido no forro da casa, no quarto da bagunça, ou levado solenemente para o lixo. Durante uma semana você fica “encantado” com sua nova paixão. Mas são “amores de verão”. Depois de quinze dias começa a cair o primeiro botão. Depois ele não funciona por algum motivo. Você sente um cheiro de queimado. Pronto. Acabou. É mais um importado de araque. Você caiu no conto do vigário mais uma vez (nunca entendi o que o vigário tem a ver com isso). Que burro… Seja humilde. Busque o velho liquidificador no exílio. Ele estará pronto para funcionar perfeitamente. Não despreze velhos amores no inverno. Lembre-se: a primavera existe. Creia nisso!

Autor: Padre Joãozinho, scj.

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